CRITÉRIOS PARA O PLANEJAMENTO DAS MANUTENÇÕES – Parte 3/3 – O método de Schumacher

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Mauricio Castagna abril/2018

Este artigo é o terceiro de uma serie de 3 onde discorro sobre a criação de critérios para o planejamento das manutenções, de modo a habilitar o leitor a criar sua agenda de manutenção levando em consideração todas as intervenções técnicas previstas nos equipamentos do hospital, com critérios claros que podem ser discutidos e validados pelas equipes multiprofissionais da qualidade de sua Instituição (O que, aliás, é absolutamente necessário).

Na primeira parte apresentei uma forma de classificar as tecnologias pela criticidade utilizando 5 parâmetros que traduzem as estratégias de negócios do Estabelecimento e associando cada um pela matriz decisória para resultar na classificação. Se quiser ler este primeiro artigo, ele pode ser acessado na minha página clicando aqui.

Já na parte 2 utilizei a classificação de criticidade para determinar a forma de abordagem e a periodicidade em cada tipo de intervenção técnica. Este artigo já permite montar um planejamento com abrangência anual de todo o parque tecnológico com bastante propriedade, e pode ser acessado pelo leitor clicando neste link.

Neste terceiro e último artigo mostrarei como aplicar o método de Schumacher de forma simplificada para avaliar sempre os resultados do certificado de calibração e alterar a periodicidade conforme os resultados. O método em si é bem mais complexo, mas a leitura irá proporcionar uma ideia bem clara do como ele se baseia, o que dará matéria suficiente para aumentar seu poder decisório sobre o tema. Vamos então seguir com o artigo.

 

MÉTODO SIMPLIFICADO DE SCHUMACHER PARA DETERMINAÇÃO DA FREQUÊNCIA DE CALIBRAÇÃO

 

PROCEDIMENTO

O método leva em consideração o estado de conservação e funcionamento do equipamento no momento da calibração, entendendo que quanto mais degradada forem as condições, maior a probabilidade de se constatar instabilidade dos parâmetros sujeitos a calibração ao longo do uso e, portanto, menor deve ser o tempo discorrido entre uma calibração e outra.

Vamos começar estabelecendo uma nota de avaliação para o estado físico, de forma simples, mas com critérios. Esta condição é indicada por letras conforme segue:

– Indica que o equipamento está com avaria impedindo o seu funcionamento.

F – Indica que o equipamento funciona, porém, fora das tolerâncias estabelecidas.

C – Indica que o equipamento funciona dentro das tolerâncias estabelecidas.

 

Com base na condição de recebimento do equipamento e nas duas ou três calibrações anteriores, determinamos por meio da tabela 1, qual a decisão que deve ser tomada, ou seja, avaliamos nos dois ou três últimos certificados o erro médio do mensurando em todas as faixas de medição e as condições de CONFORME (C), ou NÃO CONFORME (F) devem ser observadas, e com base na sequência dos últimos certificados mais a medição no certificado atual tomamos a decisão com base na tabela 1. Esta decisão é indicada por letras, conforme segue:

D – Indica que o período deve diminuir em 50%;

E – Indica que o período deve aumentar em 50%;

P – Indica caso duvidoso, e o período não deve ser alterado;

M – Indica que a redução do período deve ser a máxima possível.

 Por exemplo, se o equipamento esteve conforme nas três ultimas calibrações será indicado como CCC, e se, no certificado atual tambem está conforme, então conforme a tabela o período para uma nova calibração pode ser aumentado, o que está indicado pela letra E.

TABELA 1 – DECISÃO A SER TOMADA 

 

Condição nos Períodos Anteriores 2. Estado no Recebimento 

A

F

C

CCC

P D E
FCC P D

P

ACC

P D E
CF M M

P

CA

M M

P

FC

P M P
FF M M

P

FA

M M

P

AC

P D

P

AF

M M P
AA M M

P

 

Partindo de uma periodicidade inicial de 12 meses para a calibração, segundo o resultado observado pelo método de Schumacher, eles devem se esticar ou encolher, de acordo com a tabela acima, e os novos períodos sugeridos ficariam da seguinte forma:

 

     TABELA 2 – NOVOS PERÍODOS DE CALIBRAÇÃO 

 

Período Novo Período de Calibração (meses)
Atual

D

E P

M

12 meses

6

18 12

3

Você pode dizer que todos os equipamentos em uso consta nos seus certificados que estão todos conformes, e deste modo nunca haverá a necessidade de alteração da periodicidade, mas vale lembrar que rigorosamente, quando se contrata uma empresa de metrologia, devemos aceitar que alguns dos certificados serão emitidos como NÃO CONFORMES e, somente após submeter o equipamento a uma manutenção corretiva para ajuste dos parâmetros, deveríamos novamente emitir um novo certificado de calibração para garantir a condição ideal de trabalho e retornar o equipamento ao uso com segurança. Estes dois certificados são identificados como pré e pós-calibração e, naturalmente, devemos considerar o primeiro na avaliação para o método de Schumacher

Lembrando também que uma manutenção sofrida pelo equipamento que tenha influência direta no parâmetro sob controle, indicaria a necessidade de uma nova calibração, independente do prazo que tenha decorrido da emissão do último certificado.

 

BIBLIOGRAFIA

 

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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISO 10012: Sistemas de gestão de medição – requisitos para os processos de medição e equipamentos de medição. Rio de Janeiro. 2004.

CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia Científica. 3 ed. São Paulo: McGrawHill do Brasil, 1983.

DUNHAM, Paulo Cezar da Costa Lino; MACHADO, Marcio, Método de alteração de intervalos entre calibrações, Rede Metrológica de São Paulo, ENQUALAB-2008, São Paulo, 2008.

FLUKE CORPORATION. Calibration: Philosophy in Practice. 2. ed. Everett, WA: Fluke Corporation, Everett, Wa, U.S.A ,1994. p. 528. NETO, João Cirilo da Silva. Metrologia e controle dimensional: conceitos, normas e aplicações. Elsevier Brasil, 2012.

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REDE DE METROLOGIA E ENSAIOS DO RIO GRANDE DO SUL (RMRS). Metrologia: A base física da qualidade. Rede Metrológica do Rio Grande do Sul, 2003. SARAIVA, C. P., Ferramentas para ajustar a periodicidade de calibração,

Rede Metrológica de São Paulo, ENQUALAB – 2005, São Paulo, 2005. VIM – Vocabulário Internacional de Metrologia. Conceitos Fundamentais e Gerais e Termos Associados, 2a. ed. Luso – Brasileira; Rio de Janeiro: 2012.

PORTELA, Ajuste da Frequência de Calibração de Instrumentos de Processo – Foco 5 na Indústria Farmacêutica, In Metrologia 2003 – Metrologia para a Vida, Recife, 2003.

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