CRITÉRIOS PARA O PLANEJAMENTO DAS MANUTENÇÕES – Parte 3/3 – O método de Schumacher

Mauricio Castagna abril/2018

Este artigo é o terceiro de uma serie de 3 onde discorro sobre a criação de critérios para o planejamento das manutenções, de modo a habilitar o leitor a criar sua agenda de manutenção levando em consideração todas as intervenções técnicas previstas nos equipamentos do hospital, com critérios claros que podem ser discutidos e validados pelas equipes multiprofissionais da qualidade de sua Instituição (O que, aliás, é absolutamente necessário).

Na primeira parte apresentei uma forma de classificar as tecnologias pela criticidade utilizando 5 parâmetros que traduzem as estratégias de negócios do Estabelecimento e associando cada um pela matriz decisória para resultar na classificação. Se quiser ler este primeiro artigo, ele pode ser acessado na minha página clicando aqui.

Já na parte 2 utilizei a classificação de criticidade para determinar a forma de abordagem e a periodicidade em cada tipo de intervenção técnica. Este artigo já permite montar um planejamento com abrangência anual de todo o parque tecnológico com bastante propriedade, e pode ser acessado pelo leitor clicando neste link.

Neste terceiro e último artigo mostrarei como aplicar o método de Schumacher de forma simplificada para avaliar sempre os resultados do certificado de calibração e alterar a periodicidade conforme os resultados. O método em si é bem mais complexo, mas a leitura irá proporcionar uma ideia bem clara do como ele se baseia, o que dará matéria suficiente para aumentar seu poder decisório sobre o tema. Vamos então seguir com o artigo.

 

MÉTODO SIMPLIFICADO DE SCHUMACHER PARA DETERMINAÇÃO DA FREQUÊNCIA DE CALIBRAÇÃO

 

PROCEDIMENTO

O método leva em consideração o estado de conservação e funcionamento do equipamento no momento da calibração, entendendo que quanto mais degradada forem as condições, maior a probabilidade de se constatar instabilidade dos parâmetros sujeitos a calibração ao longo do uso e, portanto, menor deve ser o tempo discorrido entre uma calibração e outra.

Vamos começar estabelecendo uma nota de avaliação para o estado físico, de forma simples, mas com critérios. Esta condição é indicada por letras conforme segue:

– Indica que o equipamento está com avaria impedindo o seu funcionamento.

F – Indica que o equipamento funciona, porém, fora das tolerâncias estabelecidas.

C – Indica que o equipamento funciona dentro das tolerâncias estabelecidas.

 

Com base na condição de recebimento do equipamento e nas duas ou três calibrações anteriores, determinamos por meio da tabela 1, qual a decisão que deve ser tomada, ou seja, avaliamos nos dois ou três últimos certificados o erro médio do mensurando em todas as faixas de medição e as condições de CONFORME (C), ou NÃO CONFORME (F) devem ser observadas, e com base na sequência dos últimos certificados mais a medição no certificado atual tomamos a decisão com base na tabela 1. Esta decisão é indicada por letras, conforme segue:

D – Indica que o período deve diminuir em 50%;

E – Indica que o período deve aumentar em 50%;

P – Indica caso duvidoso, e o período não deve ser alterado;

M – Indica que a redução do período deve ser a máxima possível.

 Por exemplo, se o equipamento esteve conforme nas três ultimas calibrações será indicado como CCC, e se, no certificado atual tambem está conforme, então conforme a tabela o período para uma nova calibração pode ser aumentado, o que está indicado pela letra E.

TABELA 1 – DECISÃO A SER TOMADA 

 

Condição nos Períodos Anteriores 2. Estado no Recebimento 

A

F

C

CCC

P D E
FCC P D

P

ACC

P D E
CF M M

P

CA

M M

P

FC

P M P
FF M M

P

FA

M M

P

AC

P D

P

AF

M M P
AA M M

P

 

Partindo de uma periodicidade inicial de 12 meses para a calibração, segundo o resultado observado pelo método de Schumacher, eles devem se esticar ou encolher, de acordo com a tabela acima, e os novos períodos sugeridos ficariam da seguinte forma:

 

     TABELA 2 – NOVOS PERÍODOS DE CALIBRAÇÃO 

 

Período Novo Período de Calibração (meses)
Atual

D

E P

M

12 meses

6

18 12

3

Você pode dizer que todos os equipamentos em uso consta nos seus certificados que estão todos conformes, e deste modo nunca haverá a necessidade de alteração da periodicidade, mas vale lembrar que rigorosamente, quando se contrata uma empresa de metrologia, devemos aceitar que alguns dos certificados serão emitidos como NÃO CONFORMES e, somente após submeter o equipamento a uma manutenção corretiva para ajuste dos parâmetros, deveríamos novamente emitir um novo certificado de calibração para garantir a condição ideal de trabalho e retornar o equipamento ao uso com segurança. Estes dois certificados são identificados como pré e pós-calibração e, naturalmente, devemos considerar o primeiro na avaliação para o método de Schumacher

Lembrando também que uma manutenção sofrida pelo equipamento que tenha influência direta no parâmetro sob controle, indicaria a necessidade de uma nova calibração, independente do prazo que tenha decorrido da emissão do último certificado.

 

BIBLIOGRAFIA

 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, NBR 17025: Requisitos gerais para competência de laboratórios de ensaio e calibração. Rio de Janeiro. 2005.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISO 10012: Sistemas de gestão de medição – requisitos para os processos de medição e equipamentos de medição. Rio de Janeiro. 2004.

CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia Científica. 3 ed. São Paulo: McGrawHill do Brasil, 1983.

DUNHAM, Paulo Cezar da Costa Lino; MACHADO, Marcio, Método de alteração de intervalos entre calibrações, Rede Metrológica de São Paulo, ENQUALAB-2008, São Paulo, 2008.

FLUKE CORPORATION. Calibration: Philosophy in Practice. 2. ed. Everett, WA: Fluke Corporation, Everett, Wa, U.S.A ,1994. p. 528. NETO, João Cirilo da Silva. Metrologia e controle dimensional: conceitos, normas e aplicações. Elsevier Brasil, 2012.

NOVASKI, Olívio; FRANCO, Samuel Mendes Comparação entre Métodos para Estabelecimento e Ajuste de Intervalos de Calibração. Sociedade Brasileira de Metrologia – Metrologia 2000 – São Paulo.

OLIVEIRA, F. Análise do Sistema de Medição (ASM), Revista Metrologia & Instrumentação. São Paulo, nº24. p 66, 69, Set.2003.

REDE DE METROLOGIA E ENSAIOS DO RIO GRANDE DO SUL (RMRS). Metrologia: A base física da qualidade. Rede Metrológica do Rio Grande do Sul, 2003. SARAIVA, C. P., Ferramentas para ajustar a periodicidade de calibração,

Rede Metrológica de São Paulo, ENQUALAB – 2005, São Paulo, 2005. VIM – Vocabulário Internacional de Metrologia. Conceitos Fundamentais e Gerais e Termos Associados, 2a. ed. Luso – Brasileira; Rio de Janeiro: 2012.

PORTELA, Ajuste da Frequência de Calibração de Instrumentos de Processo – Foco 5 na Indústria Farmacêutica, In Metrologia 2003 – Metrologia para a Vida, Recife, 2003.

CRITÉRIOS PARA O PLANEJAMENTO DAS MANUTENÇÕES – Parte 2/3

 

Mauricio Castagna março/2018

Há um mês, iniciei a publicação de um artigo dividido em 3 partes discutindo métodos para estabelecer critérios de atendimento objetivos e claros para os diversos tipos de intervenção técnica. Reconheço que não é comum a publicação desta forma seriada mas achei por bem faze-lo para que a leitura se tornasse mais dinâmica.

Na primeira parte apresentei uma forma de classificar as tecnologias pela criticidade utilizando 5 parâmetros que traduzem as estrategias de negócios da Instituição e associando cada um pela matriz decisória para resultar na classificação. Se quiser ler o artigo anterior, ele pode ser acessado na minha página clicando aqui.

 

Critérios para tomada de decisão para cada tipo de intervenção 

 Conforme comentei no artigo anterior, cada intervenção técnica requer uma abordagem diferente, e cada tipo de instituição terá uma demanda diferente para os tipos de intervenção, ou seja, existem hospitais que respeitam a necessidade de manutenções preventivas e investem nisso, existem outros que priorizam a produtividade da área assistencial e gostam que sejam feitas muitas rondas, mas nem sempre tem recursos financeiros para manter um grande programa de preventivas. Utilizando as informações levantas para cada tipo de equipamento, a decisão será tomada para o tipo de chamado conforme segue: 

 Manutenção corretiva - Todos os chamados serão atendidos prontamente independente da tecnologia respeitando o “ACORDO DE IMPACTO” (ou SLA) para o tempo de resposta estabelecido previamente, mas as ações para a busca de restabelecimento do funcionamento, quando mais de uma estiver demandando, serão tomadas diretamente segundo o índice de criticidade, ou seja, para dois chamados simultâneos será atendido primeiro aquele que tem o maior índice de criticidade. Para dois chamados simultâneos para equipamentos com o mesmo índice de criticidade, devemos respeitar o SLA e atender aquele com o menor tempo acordado. 

 

Manutenção preventiva – Esse tipo de intervenção é feito de forma programada mediante a criação de uma agenda para todo o ano, em acordo com os setores usuários dos equipamentos, sendo que dependendo do grau de importância de determinada tecnologia para o Hospital, o número de manutenções durante o ano pode variar para garantir maior segurança de operação e aumento de sua vida útil. A determinação do número de manutenções programadas anualmente para cada tipo de tecnologia pode utilizar, alem do índice de criticidade, outros critérios, desde que seja indicado a origem no quadro de agendamento. A seguir mostramos cada um dos critérios: 

 

– Índice de criticidade x Rate de utilização 

Rate de utilização, ou duty cicle, quer dizer o tempo em que o equipamento é efetivamente utilizado durante o seu período diário de disponibilidade. Convencionamos os números de 1 a 4 sendo 1 quando o equipamento é utilizado só eventualmente como o caso de um cardioversor, e 4 quando utilizado a maior parte do tempo como o caso de uma autoclave. 

 Partindo de uma preventiva anual para todas as tecnologias, a freqüência será aumentada quanto maior o rate de utilização e conforme o índice de criticidade. Esta outra matriz mostra como isso acontece  

  

    (R) Rate de utilização 
    1  2  3  4 
Indice de Criticidade  Crítico  2  2  3  3 
Semi-crítico  1  1  2  2 
Não crítico  1  1  1  1 

 

 Os números dentro da matriz representam a quantidade de manutenções preventivas no período de um ano, ou seja quanto mais um equipamento é utilizado, maior a probabilidade de desgastes ou desajustes, o que aumenta a possibilidade de um mau funcionamento súbito, e portanto mais recomendado que seja aumentada a frequência anual de manutenções preventivas. 

 

O numero de manutenções programadas também poderão ser determinadas por outros critérios, menos analíticos e mais mandatórios, como segue: 

 

(M) Por determinação do fabricante – ou seja, o que vale é o que foi planejado durante o projeto de desenvolvimento do equipamento e consta no manual de utilização/serviço. Alguns fabricantes determinam a troca dos kits de manutenção semestralmente, ou anualmente, ou conforme o número de horas de utilização, e essa período deve ser respeitado independente do que resultou de nosso método de criticidade. 

(C) Estabelecido em contrato de manutenção/locação/comodato. Mais uma vez o comodatante, ou a empresa contratada definiu a agenda de manutenções por estratégia comercial ou por algum critério diferente do nosso, mas que deve ser respeitado. 

(E) Por justificativa especial. Algumas vezes existe uma razão particular para que a manutenção preventiva seja feita em períodos incompatíveis com o nosso critério, inclusive por limitação orçamentária. Nestes casos é importante que a Engenharia Clinica tenha o conhecimento de qual a justificativa para uma agenda diferenciada e que esteja acordado previamente com os responsáveis dos setores. 

 

No ANEXO I mostra como ficariam algumas tecnologias descritas anteriormente, mas agora com o número de preventivas anuais determinadas por estes critérios. 

 

Calibração – Deve ser feita anualmente, e a periodicidade será reavaliada pelo método de Schumacher (Ver no próximo artigo) durante o ano, com a possibilidade de aumentar ou diminuir o tempo entre calibrações. O planejamento das calibrações necessita que em primeiro lugar, sejam escolhidos quais os equipamentos que farão parte do programa, partindo do princípio que somente os equipamentos que apresentarem leituras de grandezas, ou que forem geradores destas tem a necessidade de serem calibrados, e ainda, que estas leituras de grandezas tenham uma relação conhecida com o resultado do processo clinico, exemplo: 

  • Em uma bomba de infusão programamos um fluxo de medicamento por hora e esta mesma bomba enquanto aplica o medicamento nos dá uma leitura do volume total e fluxo. A quantidade de medicamento aplicado em um paciente afeta diretamente no resultado do tratamento, ou seja, conhecendo o erro inerente a medida do volume medido é possível o médico corrigir a dose de medicamento e, portanto, manter o processo de tratamento sob controle. Este é um caso em que a grandeza volume deve ser calibrada, da mesma forma que um ventilador pulmonar ou uma bomba de injeção de contraste. 
  • Um aspirador cirúrgico por outro lado, é portador de um manovacuômetro para indicar a pressão de vácuo de trabalho. O processo clinico de tratamento do paciente pela aspiração de secreção das vias aéreas, pouco, ou praticamente nada é influenciada pelo erro do marcador de pressão de vácuo. Este marcador está mais ligado a verificação do estado dos filtros internos, e também não varia o processo de manutenção conforme o erro apresentado na leitura. Deste modo este não é um equipamento indicado para fazer parte do programa de calibrações. 
  • Um console de uma camera de video-cirurgia não tem nenhum parâmetro mensurável e portanto não faz parte do programa de calibração. 

Ainda dentro do planejamento do programa de calibração, os limites de aceite do erro do mensurando devem ser conhecidos e determinados previamente. Uma tabela exemplo está no ANEXO II. 

 Teste de segurança elétrica – Será vinculado e sincronizado com a calibração e, portanto, será anual. O teste de segurança também deve ser realizado sempre após cada manutenção corretiva. 

Qualificação de instalação e Qualificação de operação – Normalmente aplicada às autoclaves, é executada quando um equipamento é novo e recém instalado, ou quando for removido de uma posição e colocado em outra. Também é feito de forma periódica anual conforme determinação da ANVISA pela RDC15/2012. 

Qualificação de Desempenho – Também para as autoclaves, é conhecido também no mercado como “Validação” e deve ser anual conforme determinação da ANVISA pela RDC15/2012, e sempre que houver manutenção corretiva em que haja alteração nos parâmetros do ciclo da autoclave. 

Teste hidrostático – Todos os vasos de pressão que se enquadrarem, inclusive autoclaves, devem passar pelo teste. Este será a cada 3 anos ou conforme classificação da categoria do vaso, conforme manda a Norma Regulamentadora NR 13, do Ministério do Trabalho. 

Verificação legal pelo Inmetro – será anualmente para balanças, termômetros e esfigmomanômetros conforme portaria INMETRO nº 153/2005 e Norma NIE-DIMEL-006. 

 

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

 

  • Ministério do Trabalho – NR13 – Norma Regulamentadora –– Caldeiras e vasos de pressão 
  • VIM – 2012: Vocabulário Internacional de Metrologia 
  • ABNT NBR IEC 60601-1 – Prescrições gerais para segurança básica e desempenho essencial 
  • IEC 62353:2014 – Medical electrical equipment – Recurrent test and test after repair of medical electrical equipment  
  • INMETRO – Norma  NIE – DIMEL 006:2014 – Procedimentos para verificação de esfigmomanômetros mecânicos 
  • INMETRO nº 153/2005 – Condições a que devem satisfazer os esfigmomanômetros mecânicos, de medição não invasiva, que se destinem a medir a pressão arterial humana. Portaria INMETRO nº 24 – Calibração de esfigmomanômetros mecânicos 
  • ANVISA RDC 15/2012 – Boas Práticas para o Processamento de Produtos para Saúde 
  • ANVISA RDC 50/2002 – Planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. 

No próximo e último artigo mostrarei uma simplificação do método de Schumacher para determinação da frequência de calibração. Até lá!

ANEXO I: Exemplo de como fica a frequência de manutenção preventiva aplicando o método descrito.

  IC    Rate  Freqüência 
Arco Cirúrgico  A    3  2 
AutoClave  A    1  3 
Bomba de Infusão   A    3  2 
Bomba de Infusão de Seringa  A    3  2 
Bomba Extracorpórea  A    3  2 
Câmera de Vídeo  A    3  2 
Cardioversor  A    4  2 
Console para Micro-Motores  A    4  2 
Desfibrilador  A    4  2 
Esterilizadora por peróxido de hidrogênio  A    1  3 
Fonte de Luz  A    3  2 
Garrote Pneumático  A    4  2 
Insuflador de CO2  A    3  2 
Lavadora Ultrasônica  A    2  3 
Marca Passo  A    4  2 
Monitor de Vídeo  A    3  2 
Osmose Reversa  A    4  2 
Processador de Vídeo  A    3  2 
Processadora de Raio X  A    2  3 
Raio-X  A    3  2 
Raio-X – Móvel  A    3  2 
Tomográfo  A    2  3 
Unidade de Anestesia  A    3  2 
Unidade de Hemodiálise  A    3  2 
Unidade de Hemodinâmica  A    3  2 
Unidade de Ultrassom  A    3  2 
Unidade Eletrocirúrgica  A    3  2 
Vaporizador  A    3  2 
Ventilador Pulmonar  A    1  3 
         
Câmara de resfriamento  B    1  2 
Estufa para Cultura Bacteriológica  B    1  2 
Foco Cirúrgico  B    3  1 
Incubadora para teste biológico  B    3  1 
Mesa Cirúrgica  B    3  1 
Sistema de Tratamento de Efluentes  B    2  2 
Work Station  B    3  1 
Video Printer  B    3  1 
         
Aspirador Cirúrgico  C    3  1 
Balança   C    4  1 
Central de Comunicação   C    4  1 
Compressor de membros  C    4  1 
Fotóforo  C    4  1 
Gravador de DVD  C    3  1 
Maca de Transporte  C    3  1 
Manta Aquecida  C    4  1 
Microscópio Cirúrgico  C    4  1 
Módulo de Capnografia   C    4  1 
Módulo de Débito Cardiáco  C    4  1 
Módulo de ECG  C    1  1 
Módulo de gases anestésicos  C    4  1 
Módulo de Oximetria  C    1  1 
Módulo de Pressão Invasiva  C    4  1 
Módulo de Pressão não Invasiva  C    4  1 
Monitor Multiparametros  C    1  1 
Neuroestimulador  C    4  1 
Oxímetro de Pulso  C    4  1 
Seladora  C    2  1 
Serra de Gesso  C    4  1 
Sistema de Ativação por Voz  C    4  1 

 

ANEXO II: Exemplo de tabela de tolerância para aceite dos resultados das calibrações

 

TECNOLOGIA  FREQUENCIA  PARÂMETROS  TOLERÂNCIA 
       
AutoClave  12 meses  Pressão  +/- 10% 
temperatura  +/- 10% 
Tempo  +/- 10% 
Balança   12 meses  Peso  +/- 10% 
Bomba de Infusão   12 meses  Volume  +/- 10% 
Fluxo  +/- 10% 
Bomba de Infusão de Seringa  12 meses  Volume  +/- 10% 
Fluxo  +/- 10% 
Câmara de resfriamento  12 meses  temperatura  +/- 10% 
Cardioversor  12 meses  Energia  +/- 10% 
Tempo  +/- 10% 
Garrote Pneumático  12 meses  pressão  +/- 10% 
Marca Passo  12 meses  Frequencia  +/- 10% 
Módulo de Capnografia   12 meses  CO2  +/- 10% 
Módulo de Débito Cardiáco  12 meses  Temperatura  +/- 10% 
Módulo de ECG  12 meses  Frequencia  +/- 10% 
Módulo de gases anestésicos  12 meses  Concentração   +/- 10% 
Módulo de Oximetria  12 meses  SpO2  +/- 10% 
Módulo de Pressão Invasiva  12 meses  Pressão  +/- 10% 
Módulo de Pressão não Invasiva  12 meses  Pressão  +/- 10% 
Oxímetro de Pulso  12 meses  SpO2  +/- 10% 
Unidade de Anestesia  12 meses  Volume  +/- 10% 
Fluxo  +/- 10% 
Pressão  +/- 10% 
Unidade Eletrocirúrgica  12 meses  Potencia  +/- 10% 
Ventilador Pulmonar  12 meses  Volume  +/- 10% 
Fluxo  +/- 10% 
Pressão  +/- 10% 
Esfigmomanometro  12 meses  Pressão  +/- 10% 
Termometro SND  12 meses  temperatura  +/- 5% 
Termohigrometro  12 meses  temperatura  +/- 5% 
termometro clinico  12 meses  temperatura  +/- 5% 

 

 

APRENDENDO COM O ARQUEIRO

arco2A META 

O arqueiro tem apenas um objetivo, acertar no alvo, e apesar de existir uma pontuação progressiva, o arqueiro olha somente para o centro do alvo, essa é sua meta. O alvo de competição é composto por 10 círculos concêntricos de cores diferentes cujas pontuações vão de 1 a 10 sendo o círculo de valor 1 o que está mais distante do centro e o de valor 10 o que está exatamente no centro, a mosca. Esta meta central de valor 10 mede 8cm de diâmetro para arcos recurvos para uma distância de até 50 metros e sua cor é amarela, ou seja, para o arqueiro sua meta é muito bem definida, tem tamanho cor e valor, isso não deixa dúvidas, não gera incertezas, permite que toda sua concentração e esforço sejam direcionados sem vacilar. Nem todas as flechas terão pontuação 10 mas ele sabe que está melhorando quando a série de flechas vai se agrupando e aproximando ao centro. Até a forma de mensurar sua evolução é bem clara. 

Nossa evolução profissional e pessoal tem começo meio e fim, começa no dia em que nascemos e termina no dia em que morremos. Participamos apenas do meio e levamos uma vida inteira para aprimorar. 

Observando o treino de um arqueiro, traçamos diversas paralelas com nossa busca pela evolução profissional. Como o arqueiro, ninguém inicia uma jornada acertando. Os ajustes da pontaria, da postura corporal, da força, vão sendo feitos ao longo dos anos de treino em um processo iterativo de planejamento, ação, medição e correção, o ciclo PDCA, sem a ilusão forjada pela mídia consumista do sucesso imediato. Até mesmo o instrumento utilizado pelo arqueiro vai evoluindo conforme ele vai se aprimorando, inicia com um arco muito simples e vai incorporando mira, aumentando a tensão da corda e o tamanho, melhorando a resistência, aumentando a estabilidade com as barras de simetria, etc. Acertar o alvo, como no caso do arqueiro se inicia tendo uma definição muito clara e precisa de qual é o alvo, não adianta olhar para o arqueiro ao lado porque o alvo dele é outro, parece muito igual, mas é outro, e você não pontua quando aponta para ele, somente para o seu. E quando sabemos qual é a nossa meta? Quando nós mesmos determinamos, porque ninguém sabe das suas necessidades e convicções de vida quanto você mesmo. Na vida é assim, quando você não toma uma decisão, alguém toma por você e sua meta acaba sendo imposta por esse alguém, e como já falei, na meta dos outros nós não pontuamos. Aprenda com o arqueiro, no dia do treino ele retira de sua bolsa a folha com o alvo (já usado, cheio de furos distantes do centro, rabiscado com anotações) posiciona no fardo, e inicia o treino, o alvo é dele e cada um posiciona o seu. 

16/09/2016 - Brasil, Rio de Janeiro, Sambódromo- Jogos Paralímpicos Rio 2016 - Tiro com Arco Jane Karla Gogel eliminada nas quartas de finais pela chinesa © Cezar Loureiro/MPIX/CPB
16/09/2016 – Brasil, Rio de Janeiro, Sambódromo- Jogos Paralímpicos Rio 2016 – Tiro com Arco Jane Karla Gogel eliminada nas quartas de finais pela chinesa © Cezar Loureiro/MPIX/CPB

 A ENERGIA 

Outro paralelo que podemos traçar é na forma como ele manuseia a mira. São duas coordenadas, na horizontal ele encontra a direção do alvo, e na vertical ajusta a energia, para isso ele encontra a altura certa a que tem que lançar a flecha para que ela trace uma parábola perfeita e encontre o ponto desejado, e esse é o ajuste mais interessante que temos no tiro com arco. Sabemos que a flecha é puxada pela gravidade e portanto durante seu trajeto vai perdendo altura, então é necessário mirar mais alto para compensar a perda de altura, ou seja, quanto mais se levanta o arco mais distancia alcança a flecha, no entanto, e é nesse ponto que quero chegar, se continuarmos a levantar o arco chegará o momento em que a flecha subirá e depois cairá antes de chegar no fardo, é o limite necessário da força do arco. Quanto mais se levanta a mira, mais longe a flecha vai alcançar, mas quem manda na altura é a condição que encontramos, ou seja, se por nossa decisão demandamos energia demais apontando o arco para cima, a flecha vai subir com força, mas vai cair antes de chegar no alvo. Nossa ansiedade muda a forma como enxergamos as coisas e nos apressa a conquistar os objetivos antes do tempo natural, e nessa ilusão dispensamos energia demasiada, e frustramos nosso intento vendo a flecha cair antes de atingir o fardo. Desperdício de energia e desperdício de tempo pois teremos que recolher as flechas e começar tudo de novo. Para toda a atividade que nos dedicamos, e para todo o resultado que buscamos, existe uma energia certa para se aplicar. Se nos dedicamos pouco, os obstáculos vão frustrar a jornada e o intento não se alcança, se forçamos por ansiedade, morremos na praia. É o voo da galinha. Portanto, uma vez que determinamos nosso objetivo precisamos determinar qual energia, ou qual o esforço que precisamos para alcança-lo, e aqui traduzimos o esforço por “planejamento”. Que ajustes precisamos fazer em nossa vida e que esforço é necessário para nos mantermos próximos ao alvo? 

PERSISTENCIA 

Assistir a um treino de tiro com arco é enfadonho pela monotonia e pela linearidade dos fatos. Não existe momento de mais ou menos emoção, é um repetir de preparar o arco, se posicionar, atirar, recolher as flechas e voltar para a posição, por horas a fio. Na verdade, o que está acontecendo neste ciclo iterativo é uma evolução lenta, porem consistente e eficaz, da conscientização de seus erros e a aplicação das ferramentas de correção, num aperfeiçoamento continuo movido pela persistência. Da mesma forma, o caminho para atingir uma meta profissional as vezes é longo e deve ser como o treino do arqueiro, revestido de muita persistência. Quem prestar atenção vai perceber que o treino só é enfadonho para quem assiste, porque o arqueiro está totalmente envolvido no processo de aprendizagem. O método engana a monotonia, a técnica mantém o foco no alvo, e a experiencia mostra o quanto seu objetivo está próximo. O arqueiro está acostumado com o erro, errar é parte do treino. Ele tem a consciência de que todos os erros de um dia inteiro de treino foram os responsáveis pelo único acerto no final do dia. 

A consciência do erro como parte do processo de aprendizagem e aprimoramento, permite nossa convivência com a frustração e o desânimo sem perder o foco no objetivo, convictos de que mais uma etapa foi vencida podemos nos reposicionar e começar novamente, e assim sucessivamente até que todo esse processo seja natural e a evolução leve em direção ao alvo central cumprindo nossa missão. 

E não se iluda, nossa vida é como a do arqueiro, quando alcança seu objetivo máximo de colocar as três flechas na pontuação máxima não existem aplausos, rojões ou gritos, não toca o hino da vitória, ele caminha até o fardo, retira as flechas guarda na aljava e retorna para se posicionar no ponto de tiro, … e começar tudo de novo! 


Eng. Mauricio F. Castagna

Engenheiro Clinico, Administrador, Consultor

CRITÉRIOS PARA O PLANEJAMENTO DAS MANUTENÇÕES – Parte 1/3

plano

Mauricio Castagna jan/2018

Trabalhei como Engenheiro Clinico em um hospital tradicional em São Paulo voltado a cirurgias e, quando assumi ainda havia muito trabalho por fazer. Já existia uma EC mas as rotinas não estavam bem definidas, ainda não existia o manual da qualidade com seus POPs , normas e formulários, e uma das tarefas que me cabia seria escrever todos os procedimentos que seriam a base para a coordenação do Departamento. 

Quando atingi o ponto de descrever os critérios para a definição de criticidade dos equipamentos me esbarrei mais uma vez no método de Fennigkoh & Smith, publicado em 1991 e utilizado largamente por grande parte dos Engenheiros Clínicos e até mesmo pela Organização Mundial de Saúde que fez uma adaptação ao texto original. Eu mesmo utilizei este método em vários hospitais, e poucas vezes encontrei alguma coisa realmente diferente nesta área, o que sempre me deixou desconfortável, não pelo fato de ser o método ruim, muito pelo contrário, mas pela falta de opção. 

Quanto ao mérito deste método, com todo o respeito ao Dr Larry Fennigkoh que no ano passado entrou para o Hall of Fame da ACCE, sempre percebi que a classificação em alguns equipamentos não batia com a realidade da instituição. Isso porque sendo o Hospital público, privado, instituição de caridade, clínica particular, muda o entendimento do que é prioritário, ainda que o foco seja a segurança, como por exemplo a interrupção no faturamento, que pode ser extremamente crítico no mundo da saúde capitalista. 

Pensando nisso, estudei um outro método que é usado na indústria e que com alguma adaptação consegui adequar ao nosso hospital e percebi que o resultado atendeu em muito a nossa expectativa. Também percebi que esta versão permite com facilidade atender aos anseios de Hospitais de diferentes formações sócio/administrativas, como por exemplo, ser mais direcionado para a saúde social, com pouca modificação. 

Na breve explicação que vou expor adiante, quero mostrar como funciona o critério para classificação de criticidade, bem como a forma de se utilizar esta classificação para priorização e coordenação dos principais tipos de intervenção técnica. Essas são ferramentas decisórias muito importantes na rotina de um Departamento técnico, além de atender as exigências da ONA. Como ilustração vou também mostrar alguns exemplos de como ficaram classificados os equipamentos mais relevantes no processo produtivo do hospital. 

 O MÉTODO 

 São vários os tipos de intervenção técnica coordenadas pela Engenharia Clinica durante um período de atividade produtiva. O perfil do hospital e o perfil do parque tecnológico determinam qual destas intervenções deverá ser feita e com qual intensidade. Os recursos humanos e financeiros do Setor de Engenharia Clinica também serão determinantes no planejamento da matriz de intervenções, pois afinal nem tudo o que aprendemos na academia é possível de ser implementado se não temos todas as ferramentas. Quanto mais os recursos forem incompatíveis com as demandas, maior será a necessidade de utilizar critérios para a execução dos trabalhos de forma organizada e eficaz. Quando vários chamados são feitos ao mesmo tempo e não temos pessoal suficiente, qual atendemos primeiro? Quando queremos calibrar todos os equipamentos mas o orçamento não permite, quais serão os eleitos? 

 Antes de mais nada vamos entender quais são as intervenções técnicas mais comuns ao ambiente hospitalar com relação aos dispositivos médicos: 

 - Ronda: Inspeção rotineira visual rápida em um grupo de equipamentos de um ou mais Setores seguindo uma rotina escrita para verificar condições mínimas de funcionamento. Sempre com anuência do profissional responsável do Setor. Pode ser determinada pelo período do dia (sempre no início da manhã), ou pela mudança de paciente (terminal em um quarto de internação, ou sala cirúrgica), ou pela troca de plantão da equipe assistencial, etc. 

 – Manutenção corretiva: Combinação de meios técnicos e administrativos para manter ou restabelecer as condições de funcionamento de um bem (IEC 62353:2014 ). Resulta de uma parada não programada, e normalmente é a atividade que mais consome horas de trabalho neste Setor. 

 – Manutenção preventiva: Ação que verifica e corrige pontos de desgaste, ou condições especificas que possam evoluir para uma parada de funcionamento. Essa é a antecipação a uma parada indesejada. Essa é a responsável pelo planejamento mais volumoso e as vezes o maior orçamento anual. 

 – Calibração: Operação que estabelece uma relação entre os valores e as incertezas de medição fornecidos por padrões e as indicações correspondentes com as incertezas associadas.  Adaptado do VIM_2012 (INMETRO).  

 Qualificação da instalação: Evidência documentada, fornecida pelo fabricante ou distribuidor, de que o equipamento foi entregue e instalado de acordo com as suas especificações. (ANVISA – RDC 15/2012). 

 Qualificação de operação: Evidência documentada, fornecida pelo fabricante ou distribuidor, de que o equipamento, após a qualificação da instalação, opera dentro dos parâmetros originais de fabricação. (ANVISA – RDC 15/2012). 

 Qualificação de desempenho: Evidência documentada de que o equipamento, após as qualificações de instalação e operação, apresenta desempenho consistente por no mínimo 03 ciclos sucessivos do processo, com parâmetros idênticos. (ANVISA – RDC 15/2012). 

 – Teste de segurança Elétrica: Série de ensaios previstos na norma IEC 62353:2014 – Medical electrical equipment – Recurrent test and test after repair of medical electrical equipment  que atestam quanto ao funcionamento do sistema de proteção quanto a choque elétrico. 

– Verificação: Ação de metrologia legal realizada pelo INMETRO anualmente para medição de erro e incerteza de medição conforme portaria INMETRO nº 153/2005 e Norma NIE-DIMEL-006. Ação legal e portanto obrigatória mas que muitas vezes é negligenciada pelos Hospitais. 

 – Teste hidrostático: Ensaio para verificação de pressão máxima de trabalho permitida (PMTP) do vaso de pressão. São feitos os ensaios seguindo a Norma Regulamentadora 13, ou NR-13, que dita os regulamentos pertinentes a operação com segurança dos vasos de pressão. Também é uma ação legal e tambem obrigatória. 

 GLOSSÁRIO 

 VIM – Vocabulário Internacional de Metrologia 

INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia 

ANVISA – Agencia Nacional de Vigilância Sanitária 

RDC – Resolução da Diretoria Colegiada 

NIE – Norma Inmetro Específica 

DIMEL – Diretoria de Metrologia Legal 

IEC – International Electrotechnical Comission 

SLA – Service Level Agreemente (Acordo de Nível de Serviço) 

Duty Cicle – Ciclo de trabalho 

 

A execução de qualquer tipo de atividade técnica que interfira no funcionamento do equipamento requer planejamento e tomada de decisão, mesmo quando se trata de um atendimento de urgência. O que fazer, quando, quantas vezes e em qual equipamento? A resposta destas questões depende de decisões que devem se basear em um sistema de critérios previamente estabelecidos para que as prioridades sejam respeitadas e os riscos minimizados. Não podemos deixar para decidir qual a melhor forma de agir no ápice de uma crise. Mesmo crises são previsíveis e a metodologia tem que ser definida antes e executada quando necessário. Como quando acontece um incêndio, ninguém quer, mas quando acontece os bombeiros já sabem exatamente o que fazer. É assim que tem que ser no ambiente hospitalar. 

Neste método serão formados os critérios para tomada de decisão em cada um dos tipos de intervenção técnica partindo da determinação do índice de criticidade que será utilizado de forma combinada com outros índices.  

 – Estabelecimento de um Índice de criticidade  

 Para estabelecer a Criticidade dos equipamentos adotamos 5 parâmetros que traduzem as principais estratégias de negócio da instituição colocadas de forma decrescente pela sua importância e montamos um sistema de matriz definindo 3 níveis para cada parâmetro, a saber: Nível 1, Nível 2 e Nível 3. Estes níveis estabelecem o grau de comprometimento da operação ligada a este equipamento no caso de uma falha do mesmo, sendo o nível 1 o maior comprometimento e 3 o menor, lembrando que a falha a ser considerada é apenas uma e aquela em que interrompa o funcionamento do equipamento de uma forma geral. 

 

A tabela a seguir mostra a matriz de comprometimento.  

 

Parâmetro  Nível 1  Nível 2  Nível 3 
Segurança 

Efeito de uma única falha do equipamento quanto a riscos potenciais para pacientes, usuários e patrimônio 

A falha no equipamento acarreta em risco de lesões graves ou até mesmo morte para o paciente e/ou usuário ou até mesmo danos ao patrimônio do hospital  Uma falha no equipamento acarreta riscos moderado de danos ou erro de diagnóstico/terapia   Os riscos para o paciente ou o operador em decorrência de uma falha são aceitáveis. 
Confiabilidade 

Efeito da falha do equipamento sobre a continuidade e confiabilidade das atividades do hospital 

Uma falha no equipamento pode provocar a interrupção total no processo produtivo ou no procedimento cirúrgico  Uma falha atrapalha a continuidade de um procedimento cirúrgico ou um processo  Uma falha não causa problemas nos processos assistenciais 
Custo 

Custos envolvidos na manutenção (mão de obra – peças – locação – etc) 

O custo de reparo é de R$ 10.000,00 ou mais  O custo de reparo fica entre R$ 3.000,00 e R$ 10.000,00  O custo de reparo é inferior a R$ 3.000,00 
Disponibilidade 

Quantidade de unidades similares disponíveis para reposição 

É equipamento único para a sua atividade no hospital   Existem de 1 a 3 equipamentos similares operacionais  Existem 3 ou mais equipamentos similares operacionais no hospital. 
Freqüência 

Número de paradas por quebra,  por período de utilização. 

Muitas falhas causando indisponibilidade durante o período. 

(3 ou mais por ano) 

Poucas falhas causando indisponibilidade durante o período. 

(até 2 por ano) 

Quase nunca causa uma parada (1 por ano) 

 

 A matriz por si só não fornece o índice, apenas pontua os parâmetros que tem grande impacto no processo de assistência ao paciente em diferentes níveis de comprometimento. Para se determinar o.nível de criticidade de cada equipamento utilizamos um diagrama decisório montado com base nos dados da matriz de comprometimento, que nos conduz para três níveis, que são eles: 

A – Crítico                              B – Semi-critico                          C – Não crítico  

 DIAGRAMA DECISÓRIO

Diagrama decisorio

 

Como fica a aplicação do  Índice de Criticidade de cada tecnologia segundo o método descrito.

Segurança Confiabilid. Custo Disponibil. Frequencia Classe
Arco Cirúrgico 2 2 1 2 A
AutoClave 3 1 2 2 A
Bomba de Infusão 1 2 3 3 A
Bomba de Infusão de Seringa 1 2 3 3 A
Cardioversor 1 2 3 2 A
Desfibrilador 1 2 3 2 A
Lavadora Ultrasônica 3 1 3 2 A
Osmose Reversa 3 1 3 1 A
Processador de Vídeo 2 1 3 2 A
Processadora de Raio X 3 1 3 1 A
Raio-X 2 1 2 1 A
Raio-X – Móvel 2 1 2 2 A
Tomográfo 2 1 1 1 A
Unidade de Anestesia 1 1 2 2 A
Unidade de Hemodiálise 1 1 3 1 A
Unidade de Hemodinâmica 2 1 1 1 A
Unidade de Ultrassom 2 1 2 1 A
Ventilador Pulmonar 1 1 3 2 A
Câmara de resfriamento 3 3 3 1 B
Estufa para Cultura Bacteriológica 3 3 3 1 B
Foco Cirúrgico 3 2 3 1 1 B
Incubadora para teste biológico 3 3 3 1 B
Mesa Cirúrgica 2 2 3 1 1 B
Sistema de Tratamento de Efluentes 3 3 3 1 B
Unidade de Imagens 2 2 2 1 1 B
Video Printer 3 3 3 1 B
Aspirador Cirúrgico 3 2 3 3 C
Balança 3 3 3 3 3 C
Central de Comunicação 3 2 2 1 3 C
Compressor de membros 2 2 3 2 C
Fotóforo 3 2 3 3 C
Gravador de DVD 3 2 3 2 C
Maca de Transporte 2 2 3 3 C
Microscópio Cirúrgico 2 2 2 1 3 C
Monitor Multiparametros 2 2 3 3 C
Seladora 3 2 3 2 C

 

 

 

Heart Defects that Lead to Aneurysms Studied by Engineers

 

Elastin and collagen cross-link throughout the body, as shown here in healthy cardiac tissue. Engineers at Washington University in St. Louis say better understanding both the mechanical and chemical attributes of a genetic defect that impact those cross-links could lead to a better understanding of how to prevent certain types of aneurysms. (Washington University in St. Louis)
Elastin and collagen cross-link throughout the body, as shown here in healthy cardiac tissue. Engineers at Washington University in St. Louis say better understanding both the mechanical and chemical attributes of a genetic defect that impact those cross-links could lead to a better understanding of how to prevent certain types of aneurysms. (Washington University in St. Louis)

Siobhan Treacy

28 June 2017

 

lastin and collagen are the body’s building blocks. They provide strength and elasticity for many organs, muscles, and tissues. Genetic mutations short circuit their function and can have a devastating and often times lethal, health impact on a person.

New research led by engineers at Washington University in St. Louis is taking a closer look at the genetic and mechanical attributes in order to understand disorders that affect elastin and collagen function.

“Collagen and elastin are everywhere,” said Jessica Wagenseil, associate professor of mechanical engineering & materials science at the School of Engineering & Applied Science. “They are in your blood vessels, your skin, your lungs. If they are not working properly, you can have problems in any of these organs.”

The study and novel approach focused on the genetic singalong and mechanical effects of mutations on lysyl oxidase or LOX. LOX is made of a copper enzyme, which cross-links collagen and elastin. Lack of this compound has been linked to a higher aortic aneurysm risk in humans.

Wagenseil and her team at Washington University School of Medicine set out to learn more about how LOX deficiency can lead to an aneurysm by examining tissue taken from mice born without LOX and compared it to tissue taken from healthy mice. The LOX-deficient mice showed changes in mechanical behavior and in signaling of groups of genes that were susceptibility differentiators in certain sections of tissue. The way they interacted seemed to provide protection against an aneurysm.

“We’re really interested in how the cells respond to major changes in mechanics,” Wagenseil said. “So when you take out this enzyme, and you have elastin and collagen that aren’t cross-linked, they have totally different mechanical behavior. We expect to see those mechanical differences, but we found that there’s this combination of the mechanics and the gene signaling that work together to lead to an aneurysm. We’re trying to understand signals that initiate aneurysms. We examined the chemo-mechanical environment, looked at the two factors and how they worked in synch and changed together, which leads to the disease.”

The next step for Wagenseil’s research is to determine the role of inflammatory agents in LOX-deficient aneurysms. This study was published in the journal Heart and Circulatory Physiology.

SEGURANÇA NO USO DE UNIDADES ELETROCIRURGICAS

 

eletrocirurgia

Fui questionado recentemente sobre uma forma de evitar queimaduras por bisturi durante o procedimento cirúrgico  mais especificamente quanto a postura que deveríamos adotar em relação aos adornos usados pela paciente. A discussão tomou corpo e sugeri que a abordagem fosse um pouco mais ampla, porque a questão de segurança não se limita a proibição de adornos somente, existem vários outros riscos a saúde de pacientes e operadores que devem ser trabalhados dentro de uma politica abrangente que inicia na aquisição da tecnologia correta. Da pesquisa que comecei a fazer sobre o assunto reuni estas informações que podem se transformar em uma politica de segurança com as devidas considerações em qualquer instituição de saúde que pratique a cirurgia com este tipo de tecnologia.

INTRODUÇÃO
O equipamento de eletrocirurgia, também conhecido como bisturi elétrico ou bisturi eletrônico, utiliza da eletricidade como forma de energia para produzir o rompimento da estrutura celular de forma controlada e assim conseguir o corte ou a coagulação dos diversos tipos de tecidos biológicos encontrados pelo cirurgião  durante o ato cirúrgico.  Nesse tipo de tecnologia a eletricidade é utilizada em potências de até 400w e frequências acima de 1 Mhz para conseguir produzir os efeitos de fulguração e do spray por exemplo, isso faz com que a Unidade eletrocirurgia seja um potencial causador de danos ao paciente e/ou cirurgião em caso de uma falha de utilização ou até malfuncionamento do equipamento. Foi inventado por William T Bovie no inicio do século 20 e introduzido na prática cirúrgica pelo médico Harvey W Cushing, e amplamente difundido desde então, sendo uma dos equipamentos mais utilizados tanto em cirurgias abertas quanto por vídeo. A grande evolução tecnológica dos equipamentos trouxe a incorporação de dispositivos de segurança e algoritmos que diminuem sensivelmente o risco de acidentes, mas ainda assim 600 casos de incêndio são reportados anualmente nos EUA com 1 ou 2 casos de óbito, onde pelo menos 90% deles estão envolvidos com o uso do bisturi eletrônico¹, ou seja, apesar da evolução tecnológica a adoção de comportamentos seguros nunca deixou de ser necessário e é sempre um tema atual.É importante que o centro cirúrgico adote um protocolo de segurança para minimizar a possibilidade de danos neste tipo de cirurgia, independente de quão atual é seu parque tecnológico. O protocolo que apresento abaixo é resultado de uma coletânea de documentos internacionais que reúne a experiência dos diversos profissionais e instituições que diariamente se empenham na busca pela segurança no ambiente cirúrgico.

DEFINIÇÕES
ECRI – Emergency Care Research Institute – Instituto de pesquisas em cuidados emergenciaisHEPA – High Efficiency Particulate Arrestance – Retenção de partículas de alta eficiênciaANVISA – Agencia Nacional de Vigilância SanitáriaCME – Central de Materiais EsterilizadosABNT – Associação Brasileira de Normas TécnicasREM – Return Electrode Monitor – Monitor do Eletrodo de RetornoNSP – Nucleo de Segurança do PacienteFDA – Food and Drug Administration –

RISCOS ENVOLVENDO A UTILIZAÇÃO DE UNIDADES ELETROCIRÚRGICAS

Antes de mais nada é importante deixar claro que não é só o risco de queimaduras que esta relacionado ao uso do bisturi, outros também estão presentes e devem ser levados em conta quando da criação das politicas de segurança da Instituição, com a adoção de barreiras nos procedimentos e materiais. O procedimento cirúrgico se inicia na CME com a inspeção e esterilização dos materiais e termina com o acompanhamento do paciente no pós-operatório.

  • Contaminação por falha de esterilizacao/manuseio/armazenamento
  • Eletrocução do paciente ou operador por mal funcionamento do equipamento ou por falta de aterramento adequado.
  • Queimadura do paciente por erro de operação,  ou por erro de posicionamento do eletrodo de retorno
  • Incendio/explosão por ignição de agentes inflamáveis
  • Queimadura do operador por falha no isolamento dos instrumentais
  • Intoxicação por inalação dos fumos provocados pela ação do bisturi
  • Embolia venosa pelo uso de gás argônio

ATITUDE SEGURA
As regras a seguir foram sugeridas pela Bovie e promovem uma postura segura no uso de bisturis por meio de 10 barreiras de segurança:

    1. Conheça muito bem os equipamentos e acessórios que estiver utilizando
    2. Utilize sempre um aspirador de fumaça
    3. Mantenha um programa completo de manutenção no parque de bisturis
    4. Teste os equipamentos antes de iniciar a cirurgia
    5. Não utilize agentes inflamáveis próximo ao sitio cirúrgico
    6. Tome cuidado com equipamentos com parte aplicada ao paciente como monitores marcapasso, etc
    7. Evite qualquer contato do paciente com partes metálicas
    8. Evite contato com outras partes do corpo que possam alterar a rota da corrente de difusão
    9. Mantenha a atenção durante o procedimento cirúrgico
    10. Registre o que esta sendo feito

PROTOCOLO DE SEGURANÇA

Nos Recursos

  • As equipes de cirurgia e enfermagem devem participar do processo de aquisição dos equipamentos e acessorios, optando sempre pelos modelos que incorporem os sistemas de segurança e que atendam a normas construtivas e de projeto da ABNT;
  • As equipes devem se manter atualizadas em relação ao metodo de uso seguro do equipamento por meio de um programa de educação continuada;
  • O equipamento deve fazer parte de um programa de manutenção corretiva e preventiva, calibração e segurança elétrica pelo departamento de engenharia clinica.

No Pré operatório 

Preparo do equipamento

  • A equipe deve estar familiarizada com as informações do manual do fabricante quanto a utilização segura do equipamento;
  • O equipamento e seus acessórios devem ser examinados a procura de danos – não utilize cabos ou acessórios com sinais de danos, trincas, ressecamentos, etc;
  • Durante o uso, o pedal deve ser colocado em um involucro plástico estanque para evitar mal funcionamento por derramamento de líquidos durante a cirurgia;
  • O pedal deve ser posicionado próximo ao pé do cirurgião e este deve ser avisado sobre o posicionamento para evitar acionamento acidental;
  • Verifique os registros de manutenção do equipamento e se a data da próxima inspeção não está vencida.
  • O bisturi não deve ser utilizado como prateleira ou mesa de apoio de nenhum material;
  • Todas os modos de acionamento que não forem utilizados devem ser configurados na potencia minima;
  • Utilize uma manta de material isolante cobrindo as partes metálicas da mesa cirúrgica.

Indicador sonoro de atividade

  • Ativar a unidade utilizando a caneta e o pedal e verificar em ambos a presença do indicador sonoro alto o suficiente para superar os demais sons da sala cirúrgica;
  • Verificar a operação dos outros alarmes e sistemas de proteção
  • O volume dos alarmes deve ser selecionado de forma a ser percebido com facilidade;

Eletrodo de retorno

  • Verifique o funcionamento do alarme do monitor de perda de contato do eletrodo de retorno (REM) forçando o funcionamento sem o mesmo. O alarme deve soar e a unidade não deve liberar potencia;
  • Use o Eletrodo indicado para o tipo de cirurgia conforme recomendado pelo fabricante;
  • Verifique a presença de danos ou falta de adesivo no Eletrodo antes de sua aplicação;
  • Verifique a data de validade;
  • Assegure que a área de aplicação está limpa seca e livre de pelos;
  • Siga as recomendações do fabricante para as aplicação, e assegure-se de estar bem aderido a pele;
  • O eletrodo deve ser aplicado em musculos com bastante irrigação e bem hidratados. Evite proximidade com ossos proeminentes;
  • Não reutilize o eletrodo descartável;
  • Quando possível posicione o eletrodo próximo do sítio cirúrgico;
  • Não utilize eletrodo de retorno quando o bisturi estiver na opção bipolar. Se estiver programado o uso de monopolar também durante a cirurgia, o cabo do eletrodo de retorno deve ser deixado desconectado até que a opção monopolar sera acionada;
  • Evite posicionar os cabos do eletrodo de retorno sobre marcapasso;
  • Evite posicionar o eletrodo próximo a próteses metálicas. Não existem, segundo o FDA,  relatos na literatura acerca de eventos adversos relacionados a sobreaquecimento de próteses  no entanto é recomendável adotar esta postura como uma forma de segurança
  • Cicatrizes são más condutores de eletricidade e devem ser evitadas;
  • Apesar de as tintas utilizadas nas tatuagens utilizarem metais na composição, não existem, segundo o FDA,  relatos na literatura acerca de eventos adversos envolvendo a aplicação do eletrodo de retorno sobre tatuagens.

Rotas alternativas

  • Elimine todo o contato do paciente com superfícies metalicas (mesa cirurgica, suporte de soro, mesas de apoio, etc);
  • Elimine o contato pele-pele do paciente, mãos encostadas nas pernas por exemplo;
  • Quando possível elimine eletrodos de monitores não vitais;
  • Posicione eletrodos de monitoração tão distantes quanto possível do sítio cirúrgico e dos cabos dos eletrodos ativo e de retorno;

Agentes inflamáveis

  • Evite antissépticos ou qualquer outro fluido inflamável na limpeza do paciente;
  • Evite acumulo de líquidos próximo ao sitio cirúrgico (poças);
  • Aguarde a evaporação dos agentes inflamáveis antes de cobrir o paciente para evitar vapores acumulados sob os tecidos.

Uso de gás argônio

  • Antes de iniciar a cirurgia e após cada intervalo, o ar deve ser purgado da linha de argônio para evitar a embolia venosa.

No Intraoperatório

  • Minimize o acumulo de O² sob tecidos e na cavidade orofaríngea; Segundo o ECRI atmosferas enriquecidas por oxigênio (23% ou mais de O²) são responsáveis pela ignição de fogo durante a cirurgia; (veja abaixo video do ECRI)
  • Acione o bisturi somente após haverem se dissipado os vapores de agentes inflamáveis;
  • Acione o bisturi somente após estar preparado para o procedimento e somente enquanto o eletrodo ativo estiver ao alcance da vista;
  • Utilize a menor potência possível, a necessidade de aumento constantemente significa que alguma coisa não esta correndo bem. Procure por outros problemas, como por exemplo a posição do eletrodo de retorno;
  • A caneta monopolar deve ser colocada em um local seguro quando não estiver em uso para evitar acidentes com acionamento inadvertido;
  • Apenas o operador do eletrodo ativo poderá fazer uso do pedal;
  • Verifique o contato e a aderência do eletrodo de retorno cada vez que o paciente for reposicionado;
  • Não utilize bisturis que acionem duas canetas com apenas um pedal;
  • Documente todo o procedimento no prontuário do paciente,  a identificação do bisturi,  a configuração utilizada,  a localização do eletrodo de retorno e as condições da pele do paciente antes e depois da utilização do procedimento;
  • Registre a utilização e a posição de todos os equipamentos utilizados durante o procedimento.;
  • Utilize um aspirador de fumaça com filtro HEPA para eliminar elementos tóxicos dos vapores da queima de tecidos.

No Pós operatório 

  • Procure sinais de dano no paciente nas regiões do eletrodo e outros com possibilidade de queimaduras ( danos de eletrocirurgia na região sacral costumam aparecer imediatamente após a cirurgia,  regiões pressionadas só mostram os danos um ou dois dias após a cirurgia)²;
  • Documente tudo o que observar;
  • Se algum problema for observado durante ou após a cirurgia,  reserve todos os itens descartáveis e suas embalagens para que se possa verificar a validade;
  • Quando forem verificadas falhas no equipamento, a equipe de engenharia clinica deve ser acionada imediatamente;
  • Eventos adversos que ocorrerem durante a cirurgia devem ser reportados a equipe do NSP imediatamente;
  • Após a limpeza e antes do processo de esterilização, o material isolante dos instrumentais deve ser inspecionado a procura de falhas, trincas ou buracos. Deve ser utilizado uma lente de aumento ou se possível um medidor de isolação eletrônico.

ALEM DISSO…

  • O Centro Cirúrgico deve manter uma politica de segurança para cirurgias com uso de Unidades Eletrocirurgicas
  • Os processos devem estar registrados no manual da qualidade, e devem ser revisados periodicamente pelos envolvidos.
  • O Centro Cirúrgico deve manter um registro de todas as pessoas e todos os recursos que foram utilizados na cirurgia, incluindo equipamentos consignados, materiais descartáveis etc.
  • Os eventos adversos devem ser reportados pelo sistema da Qualidade respeitando os procedimentos determinados pelo Sistema de Tecnovigilancia da ANVISA.
  • Toda falha relacionada com os equipamentos ou acessórios deve ser reportada ao Departamento de Engenharia  Clinica, que deverá proceder com uma investigação de causas e danos.

(1)Society of American Gastrointestinal and Endoscopic Surgeons (SAGES)

(2) Association of surgical technologists (AST)

Acesse o link a baixo para assistir a um video produzido pela ABC News mostrando como inicia o fogo no campo cirúrgico:

Incêndio no sitio cirúrgico

REFERENCIAS:

– American National Standards Institute. American National Standard for Safe Useof Lasers in Healthcare. Orlando, FL: Laser Institute of America; 2011.
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– ArthroCare Corporation. Coblation in brief.http://www.arthrocare.com/our_technology/ot_coblation_explained.htmAccessed August 20. 2012.
– Association for the Advancement of Medical Instrumentation. AAMI/ANSIES60601-1:2005 medical electrical equipment – part 1 general requirements forbasic safety and essential performance. Arlington, VA: Association for theAdvancement of Medical Instrumentation; 2005.
– Association for the Advancement of Medical Instrumentation. Electrical SafetyManual, 2008. Arlington, VA: Association for the Advancement of MedicalInstrumentation; 2008.
– Association of Surgical Technologists. (2011). AST continuing education policiesfor the CST and CSFA.http://www.ast.org/professionals/documents/ASTCEPoliciesfortheCSTCSFArevisedNov2011.pdf. Accessed August 20, 2012.
– Association of Surgical Technologists. (2006). AST recommended standards ofpractice for counts.http://www.ast.org/pdf/Standards_of_Practice/RSOP_Counts.pdfAccessed August 20, 2012.
– Association of Surgical Technologists (2009).AST recommended standards ofpractice for creating the sterile field.http://www.ast.org/educators/documents/RSOP%20for%20Creating%20the%20Sterile%20Field%20(2011%20Revision).pdf. Accessed August 20, 2012.
– Association of Surgical Technologists. (2006). AST recommended standards ofpractice for sharps safety and use of the neutral zone.http://www.ast.org/pdf/Standards_of_Practice/RSOP_Sharps_Safety_Neutral_Zone.pdf . Accessed August 20, 2012.
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AFINAL, O QUE É EQUIPAMENTO LEGADO?

Publicado em março de 2016 na revista Hospitais Brasil

figura equipamentos legados

Em 2010 a ABNT publicou uma norma sobre Engenharia de Usabilidade voltada a produtos para a saúde e este foi o primeiro texto exclusivo para este tema publicado pela ABNT e talvez o primeiro texto no Brasil. Já existia a colateral 60601-2-6 mas esta é direcionada somente a eletromédicos. Esta norma trouxe o conceito de usabilidade, e, ainda que não compulsória, já trouxe o tema a ser discutido dentro da indústria, nas equipes de desenvolvimento de produto e áreas regulatórias, já com a preocupação na adequação das tecnologias que estavam no mercado. Nesta época ainda estávamos todos tentando absorver os conceitos relativos a Engenharia de Usabilidade, Engenharia de Fatores Humanos, Interface de Usuário e todos os seus subtemas trazidos pela norma, e hoje, já sendo aplicada em novos produtos, estamos diante da primeira emenda que será publicada em breve como o Anexo K da norma 62366, com o desafio de entender mais um novo conceito: o equipamento “legado”.

Voltando um pouco na discussão, o conceito de Engenharia de Fatores Humanos não é nenhuma novidade e nem tampouco exclusividade do mercado de saúde, teve origem na indústria ainda com o nome de ergonomia e com um foco na produtividade, somente na aeronáutica ganhou o nome de Fatores Humanos e mudou o foco para a segurança. Na área médica vem evoluindo muito nos últimos anos, teve sua primeira norma publicada pela ANSI/AAMI em 1993 com o nome de HE-48 ainda restrita aos EUA, que foi sendo substituída por versões mais completas agora já dentro da ISO/IEC internacional, e passou a ser entendido como um processo de desenvolvimento das interfaces de usuário visando o horizonte do Gerenciamento de Risco para que possamos desenvolver um produto seguro, independente dos fatores que induzem o ser humano ao erro (stress, condições ambientais, falta de treinamento, etc). É um processo que tem início na concepção do produto e só termina com o descarte do mesmo, passando por todas as fazes de desenvolvimento, rotulagem, distribuição e utilização.

Então, na pratica, como fazemos para desenvolver um produto dentro dos preceitos da norma? Precisamos antes de mais nada lembrar que estas normas não estão voltadas a produtos mas sim aos processos, da mesma forma que aquelas outras voltadas ao gerenciamento de risco e aspectos da qualidade, devemos pensar no processo de desenvolvimento como um todo, planejando, desenvolvendo e conectando todos os aspectos de segurança, usabilidade, desempenho, bem como questões clinicas e mercadológicas no ciclo de PDCA. No momento que a empresa decide por criar um novo produto, ou então um novo acessório, ou módulo para um produto pronto, é nesse momento que se inicia a aplicação das normas de processo, incluindo a 62366 de usabilidade para que se garanta que , no pós-mercado, ou seja, quando o projeto se tornar um produto e começar a ser distribuído nas prateleiras, ele já esteja de acordo com os conceitos que temos aprendido e estamos tentando incorporar, e que alcance o objetivo final de menor risco na utilização de produtos para a saúde.

Mas depois que as normas começaram a surtir seus efeitos e o mercado começou a exigir produtos que atendessem as mesmas, algumas grandes questões vieram à tona, e o primeiro que levantou a bandeira foi o FDA perguntando: Como ficam os equipamentos que já são comercializados a anos, com qualidade reconhecida e aceita pelo mercado, mas que na época de seu desenvolvimento não existia norma de Engenharia de Usabilidade? Ou então como ficam os produtos que, mesmo desenvolvidos sob a luz da norma, decidem por incorporar dispositivos prontos conhecidos como “off the shelves”, ou seja, adquiridos prontos no mercado e que não foram necessariamente desenvolvidos para o mercado da saúde como por exemplo mouses, teclados, smartphones, e tantos outros? A rigor pelo texto das normas não tem como certificar os processos nestas condições, veja bem vamos lembrar que a norma que está em vigor hoje é voltada ao processo de desenvolvimento e não ao produto, então se o processo de desenvolvimento aconteceu no passado sem o suporte da norma, não existe forma de hoje fazer com que esse produto seja certificado. Isso fez com que os fabricantes de equipamentos nos EUA começassem a pressionar o FDA por uma solução levando este a pedir a AAMI que editasse uma anexo da norma que permitisse que equipamentos lançados no mercado antes da sua publicação, estes chamados de “equipamentos legados”, pudessem ser certificados, e este pedido foi levado a IEC que resultou na publicação em 2015 do Anexo K.

Por meio desta artimanha normativa qualquer produto que já esteja na fase de mercado hoje pode aplicar a norma e se tornar certificado por meio do Anexo K. Bom ou ruim, isso traz uma solução mesmo no Brasil para a renovação dos registros de produto no Ministério da Saúde uma vez que a norma 60601, que é de certificação compulsória, faz referência a 62366 de usabilidade por meio da colateral 60601-2-6 tornando-a indiretamente compulsoria.

Com a publicação prevista para os próximos meses, a emenda deverá ser a parte mais utilizada da norma nos próximos anos até que o parque nacional de produtos seja renovado, e cada novo projeto que esteja nascendo dentro das fabricas brasileiras possa ser concebido dentro da filosofia de UCD (User Centered Design), ou seja projeto centrado no usuário, resultando em um novo patamar de segurança para a tecnologia “brazuca”.

NOVAS TECNOLOGIAS – MONITORAÇÃO A QUALQUER HORA!

 Publicado em março de 2014 na revista Hospitais Brasil

Captação de sinais vitais e transmissão por meio de tatuagens, lentes de contato ou camisetas. Processamento e diagnostico por meio de i-phones e tablets via Wi-Fi. A tecnologia tem permitido que o monitoramento de sinais vitais e fisiológicos aconteça longe dos centros de diagnóstico e durante todo o período do dia, melhorando o acompanhamento do organismo para portadores de doenças como cardiopatias, diabetes, hipertensão, ou até mesmo de forma preventiva para aqueles que tem a preocupação com seu estado de saúde independente da apresentação de sintomas. Obviamente estes sistemas ainda não tem a pretensão de substituir o procedimento clinico de diagnóstico, mas são na verdade sistemas de alerta de alteração do comportamento dos sinais fisiológicos que tem como maior virtude encurtar o tempo de ação no caso de uma crise e aumentar as chances de sucesso pelo tratamento precoce. A tecnologia tem proporcionado as pessoas a possibilidade de desfrutar do cuidado com a saúde de uma forma nunca experimentada, transpondo as barreiras do empirismo, na alimentação regrada e hábitos saudáveis, para a monitoração direta e imediata de parâmetros físicos.

Veja algumas das últimas novidades neste campo:

tatoo

1 – Pesquisadores da Universidade de Illinois desenvolveram uma tatuagem eletrônica que pode ser impressa no corpo para monitorar os sintomas dos pacientes, medir a frequência cardíaca, temperatura, estresse e hidratação, e em seguida, enviar a informação para o seu médico.

O projeto pioneiro do cientista John Rogers, é o mais recente trabalho desenvolvido na área da eletrônica flexível. Sua equipe já projetou circuitos eletrônicos elásticos com o apoio de um polímero elástico, que poderia simplesmente ser aplicado na pele como uma tatuagem temporária, mas com a desvantagem de que ele poderia facilmente ser lavado.

Uma das principais aplicações seria a capacidade de monitorar a cicatrização de feridas. Com uma tatuagem eletrônica aplicada perto da ferida cirúrgica antes que do paciente sair do hospital, permitiria que os médicos acompanhassem o processo de cura à distância. Os dispositivos também poderiam acompanhar os pacientes enviados para casa após uma cirurgia com um sistema de monitoramento que faria o trabalho de várias máquinas pesadas, tais como electromiógrafos e eletrocardiogramas, normalmente confinados em hospitais.

lente

2 – O Google XLab anunciou recentemente que está desenvolvendo lentes de contato para ajudar pessoas com diabetes a controlar seus níveis de açúcar no sangue.

“Estamos testando lentes inteligentes fabricadas para medir a taxa de glicose nas lágrimas'”, explicaram os responsáveis pelo projeto, Brian Otis e Babak Parviz.

As lentes funcionam com um pequeno dispositivo conectado a um detector de glicose em miniatura no material com o qual são feitas as lentes. Segundo o Google, os protótipos puderam determinar a glicose nas lágrimas a cada segundo. Os pesquisadores analisaram, ainda, a possibilidade de integrar sinais luminosos para que o produto alerte sobre níveis perigosos de açúcar no sangue. Segundo Brian Otis e Babak Parviz, que encabeçam o projeto, embora ainda em estágio inicial, a ideia já passou por diversos testes clínicos que ajudaram na refinação do protótipo. Eles ainda terão de enfrentar processo regulatório norte-americano e fechar parcerias que ajudem no desenvolvimento das lentes.

camiseta

3 – No final de setembro de 2012 a Maxim apresentou uma série de monitores diretamente disponíveis na forma de camisetas com sensores integrados. A camiseta contém sensores de tal forma integrados que facilitam o acompanhamento dos sinais vitais de um paciente, sem a necessidade de se ligar fios a equipamentos o que além de custoso é demorado e incômodo.

A nova camiseta tem sensores de 3 terminais para ECG, temperatura e movimento tudo conectado um microcontrolador de baixo consumo e um sistema de comunicação wireless.

Eletrodos secos, sem a necessidade da “gelatina” que atualmente é usada nos exames ECG, o sistema é muito mais cômodo, pois pode fazer o monitoramento de forma confortável pelo simples contato.

sensor

4 – A Elfi-Tech, empresa israelense finalista da Nokia Sensing Xchallenge, está trabalhando em um sensor minúsculo que pode detectar o fluxo de sangue sob a pele, o pulso, o estado da coagulação, e o envelhecimento vascular. Utilizando estas informações, a plataforma pode detectar perturbações de saúde relacionados à patologias cardíacas, vasculares, respiratórias e neurológicas. Tudo isso por meio de um sensor chamado mDLS.

O sensor mDLS utiliza espalhamento dinâmico de luz para detecção, não tem componentes móveis, e pode ser aplicado em quase qualquer lugar no corpo. A Elfi-Tech está focada na otimização do sensor, e espera ser capaz de integrá-lo em uma variedade de dispositivos de consumo de empresas de terceiros, como relógios, óculos, ou qualquer outro tipo de gadget.

O PAPEL DO ENGENHEIRO CLINICO NO PLANO NACIONAL DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

Publicado em janeiro de 2014 na revista Hospitais Brasil

Qual tem sido a participação do Engenheiro Clinico no Plano de Gerenciamento de Resíduos sólidos de sua instituição? Segundo a PNGRS os estabelecimentos de serviços de saúde são os responsáveis pelo correto gerenciamento de todos os Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) por eles gerados, cabendo aos órgãos públicos, dentro de suas competências, a gestão, regulamentação e fiscalização.

O Decreto Federal no 7.404, de 23 de dezembro de 2010, regulamentou a Lei  no 12.305/2010 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, criou o Comitê  Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Comitê Orientador para a  Implantação dos Sistemas de Logística Reversa. Esta lei, assinada em agosto de 2010, e que está em fase de implementação através de seus planos nacionais, estaduais e municipais, é o resultado de mais de 20 anos de discussão iniciada com a publicação da Resolução CONAMA 006/91, que dispunha sobre o tratamento dos resíduos sólidos de saúde e acabava com a prática de incineração. O PNGRS introduziu novas preocupações como a gestão compartilhada, a logística reversa e as disposições gerais sobre os planos de resíduos sólidos.

Para entender:

Responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos: conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, para minimizar o volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como para reduzir os impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental decorrentes do ciclo de vida dos produtos, nos termos desta Lei.

logística reversa é o instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou, ainda, outra destinação.

Depois de 3 anos completos da publicação da lei, temos visto as empresas fabricantes preparando seu sistema logístico para atender as demandas de recolhimento, ainda bastante fraco diga-se de passagem, mas que com certeza será acelerado com a imposição da demanda causada pelas Instituições de saúde. Da mesma forma temos também empresas de logística reversa, ou recuperação de valor como também é chamada, que perceberam o mercado potencial e estão investindo pesado na criação de plantas de processamento de eletrônicos descartados, como é o caso da empresa Arrow que inaugurou em outubro ultimo mais uma unidade com capacidade para processar 20 mil ativos mensais em São Paulo. Ou seja já percebe-se uma movimentação por parte dos fornecedores para atendimento a politica dos RSS.

E o seu hospital, já definiu os procedimentos para o descarte rastreado? Já buscou os fornecedores para montar um plano de ação? Já definiu a politica de obsolescência?

O que isso quer dizer na pratica da Engenharia clínica?

No caso da Engenharia Clinica, a maior preocupação está no gerenciamento do descarte dos materiais, baterias, lâmpadas, partes e peças usadas e até mesmo equipamentos desativados, bem como qualquer material técnico gerado da atividade. Estes materiais não poderão mais serem descartados no lixo comum mas sim submetidos à engenharia reversa.

Como classificar?

Todos os materiais definidos pelo artigo 33  tem a obrigatoriedade de passar pelo processo de engenharia reversa. Os produtos do chamado Grupo D, conforme definição do Manual de Gerenciamento de RSS do Ministério da Saúde compreendem praticamente todos os resíduos gerados pelo Departamento de EC, seja na forma de peças defeituosas, cabos, materiais refugados e até mesmo equipamentos inteiros que chegam ao fim de sua vida util e esperam pela definição de um destino apropriado. Para melhor entendimento pela equipe de gerenciamento  interno  dos  RSS  no  estabelecimento de saúde, a classificação adotada deve ser aquela indicada pela Anvisa (RDC 306/2004). Entretanto, para licenciamento ambiental de aterros sanitários e outros tipos de resíduos sólidos, recomenda-se seguir as orientações dadas pela NBR 10.004 (ABNT, 2004), a qual normatiza a classificação dos resíduos sólidos quanto à periculosidade.

O plano

É de responsabilidade do EAS e a Engenharia Clinica se inclui nisso, o estabelecimento de um plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos conforme determinado na seção V e descrito no artigo 21, identificando as responsabilidades em cada etapa de gerenciamento, os tipos de resíduos, etc. Para elaborar o plano já existem diversas literaturas a respeito, mas é importante que seja seguido o Manual de Gerenciamento dos Resíduos dos Serviços de Saúde publicado pela ANVISA em2006 e que pode ser facilmente baixado pela internet.

O interessante vem no capitulo III artigo 30 da PNRS onde é definido o principio da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos de forma individualizada e encadeada aos fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e consumidores, o que quer dizer que os fornecedores de produtos deverão ser envolvidos quando a questão for o descarte dos mesmos. Os Estabelecimentos de Saúde  deverão  efetuar  a  devolução  dos  resíduos  aos comerciantes ou aos distribuidores dos produtos e das embalagens. Os comerciantes e distribuidores deverão efetuar a devolução aos fabricantes ou aos importadores. Os  fabricantes  e  os  importadores  darão  destinação  ambientalmente  adequada  aos produtos e às embalagens reunidos ou devolvidos, sendo os rejeitos encaminhados para a disposição final ambientalmente adequada, na forma estabelecida pelo órgão competente do Sisnama e, se houver, pelo plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos.

No caso de equipamentos de porte, o artigo 33 deixa claro que a responsabilidade de recolhimento e toda a logística reversa são de responsabilidade  da cadeia fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes. Tornando os integrantes desta cadeia como corresponsáveis na destinação correta dos materiais, componentes e equipamentos na atividade chamada de logística reversa, onde basicamente serão recolhidos, desmontados, separados conforme seus materiais e preparados para reciclagem por meio de metodologia apropriada.

Portanto o Engenheiro Clinico, além de todas suas atribuições, deverá a partir de agora assumir mais esta atividade, estimulando sua instituição na elaboração do Plano de Ação, provocando seus colaboradores a refletir sobre a responsabilidade social da destinação dos resíduos e seu próprio papel de responsável na manutenção do meio-ambiente, não  esquecendo nunca da questão da rastreabilidade (A lei preve que o EAS deverá manter um registro atualizado sobre a destinação deste material, da mesma forma que a empresa que efetuou o recolhimento) e da atenção aos Planos Estaduais, Municipais e o da sua Instituição, juntamente com os instrumentos legais relativos aos resíduos do sistema da logística reversa nos seus respectivos Estados e Municípios.

Nos conte qual sua experiência dentro de sua instituição neste assunto. Os equipamentos já estão sendo recolhidos pelos distribuidores? Já está sendo elaborado um plano? Não deixe de nos escrever.

A ORGANIZAÇÃO DAS SANTAS CASAS DE MISERICORDIA

santa casa

Publicado em maio de 2016 na revista Hospitais Brasil

A história das Santas Casas sempre me fascinou, principalmente pela arquitetura antiga de algumas delas. Em algumas décadas de atividade que tenho exercido, tive oportunidade de frequentar diversas unidades da Santa Casa pelas cidades do Brasil. Nas minhas indas e vindas entre as paredes grossas seculares, corredores ladeados de colunas e estruturas portentosas, corria os prédios antigos com a cabeça nos desafios profissionais e os olhos na história aparente nos tijolos de cada ala que eu entrava.

Apesar da minha admiração, sempre tive também desconhecimento de particularidades quanto a administração e sustento das Irmandades, como muitos outros com os quais conversei a respeito. Confesso, ignorante que fui, que sempre pensei que as Irmandades estivessem de alguma forma ligada a Igreja católica em sua origem e financiamento. Depois de algumas gafes percebi que precisava pesquisar e me informar mais a respeito, e como toda jornada de conhecimento leva a descobertas incríveis, também tive as minhas sobre a História das Santas Casas no Brasil, e decidi dividir as poucas informações que consegui com os leitores deste meu blog.

As primeiras informações chamam a atenção, as Santas Casas somam mais de 2.100 hospitais, espalhados em todo o território nacional, responsáveis por quase cerca de 50% do número de leitos hospitalares existentes no país. São instituições particulares, laicas e filantrópicas, que em muitos municípios brasileiros garantem o serviço de saúde da população através de seus hospitais. Quando criada em Portugal foi a primeira legítima ONG do mundo, em um tempo em que seria impensável a existência de uma instituição social que se declarasse leiga e não governamental. Da época de sua fundação em Portugal até a metade do século XVIII, a Santa Casa foi dirigida por pessoas situadas nos altos escalões do governo e cresceu com ajuda de doações e pelo prestígio que a Santa Casa ganhava com o desenvolvimento econômico da colônia. Era uma instituição fechada, pois só faziam parte os representantes da elite local ou aqueles que tinham alcançado uma posição privilegiada na sociedade colonial

No Brasil o título de primeiro Hospital da Santa Casa divide a opinião de alguns historiadores entre São Paulo e Olinda, e eu decidi acompanhar os relatos do historiador Francisco Pereira da Costa reconhecendo na cidade de Olinda a primeira Irmandade da Santa Casa, construída em 1539 e seguida pela Santa Casa de Santos em 1543 ainda com o nome de Hospital de Todos os Santos, nome que depois deu origem a vila e a Cidade de Santos.

As dez primeiras instituições que foram criadas no Brasil são:

1539 – Santa Casa de Misericórdia de Olinda (PE)

1543 – Santa Casa da Misericórdia de Santos (SP)

1549 – Santa Casa de Misericórdia de Salvador (BA)

1582 – Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (RJ)

1551 – Santa Casa de Misericórdia de Vitória (ES)

1599 – Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (SP)

1602 – Santa Casa de Misericórdia de João Pessoa (PB)

1619 – Santa Casa de Misericórdia de Belém (PA)

1657 – Santa Casa de Misericórdia de São Luís (MA)

1792 – Santa Casa de Misericórdia de Campos (RJ)

 

Quando criadas no Brasil tinham como objetivo atender à população carente, cuidando dos enfermos em seus hospitais, alimentando os famintos, sepultando os mortos, educando os enjeitados em seus orfanatos e acolhendo os recém-nascidos abandonados na Roda dos Expostos. A fonte de renda vinha inicialmente das doações e esmolas. A partir do século XIX essas entraram em decadência e outras surgiram: festas filantrópicas, recursos de loterias, convênios e subvenções estatais. Ao mesmo tempo, as ações voltadas para a assistência médica foram crescendo em detrimento das demais atividades, ou seja, durante o Império, as Santas Casas acompanharam algumas mudanças da sociedade e o foco passou a ser o cuidado com os enfermos e amparo à infância desvalida. Foi uma resposta ao cenário epidemiológico criado pelas epidemias do século XIX, que resultou no aumento de órfãos, mendigos e doentes.

Infelizmente em julho de 2014 o fechamento do pronto socorro da Santa Casa de São Paulo revelou a situação dramática que esta e outras instituições de caridade enfrentam atualmente por conta de desmandos políticos, ingerência financeira, corrupção. Uma imagem do cenário caótico da administração da saúde brasileira. A história continua sendo escrita, mas desta vez sem a beleza arquitetônica ou o ideal da caridade.