CRITÉRIOS PARA O PLANEJAMENTO DAS MANUTENÇÕES – Parte 2/3

 

Mauricio Castagna março/2018

Há um mês, iniciei a publicação de um artigo dividido em 3 partes discutindo métodos para estabelecer critérios de atendimento objetivos e claros para os diversos tipos de intervenção técnica. Reconheço que não é comum a publicação desta forma seriada mas achei por bem faze-lo para que a leitura se tornasse mais dinâmica.

Na primeira parte apresentei uma forma de classificar as tecnologias pela criticidade utilizando 5 parâmetros que traduzem as estrategias de negócios da Instituição e associando cada um pela matriz decisória para resultar na classificação. Se quiser ler o artigo anterior, ele pode ser acessado na minha página clicando aqui.

 

Critérios para tomada de decisão para cada tipo de intervenção 

 Conforme comentei no artigo anterior, cada intervenção técnica requer uma abordagem diferente, e cada tipo de instituição terá uma demanda diferente para os tipos de intervenção, ou seja, existem hospitais que respeitam a necessidade de manutenções preventivas e investem nisso, existem outros que priorizam a produtividade da área assistencial e gostam que sejam feitas muitas rondas, mas nem sempre tem recursos financeiros para manter um grande programa de preventivas. Utilizando as informações levantas para cada tipo de equipamento, a decisão será tomada para o tipo de chamado conforme segue: 

 Manutenção corretiva - Todos os chamados serão atendidos prontamente independente da tecnologia respeitando o “ACORDO DE IMPACTO” (ou SLA) para o tempo de resposta estabelecido previamente, mas as ações para a busca de restabelecimento do funcionamento, quando mais de uma estiver demandando, serão tomadas diretamente segundo o índice de criticidade, ou seja, para dois chamados simultâneos será atendido primeiro aquele que tem o maior índice de criticidade. Para dois chamados simultâneos para equipamentos com o mesmo índice de criticidade, devemos respeitar o SLA e atender aquele com o menor tempo acordado. 

 

Manutenção preventiva – Esse tipo de intervenção é feito de forma programada mediante a criação de uma agenda para todo o ano, em acordo com os setores usuários dos equipamentos, sendo que dependendo do grau de importância de determinada tecnologia para o Hospital, o número de manutenções durante o ano pode variar para garantir maior segurança de operação e aumento de sua vida útil. A determinação do número de manutenções programadas anualmente para cada tipo de tecnologia pode utilizar, alem do índice de criticidade, outros critérios, desde que seja indicado a origem no quadro de agendamento. A seguir mostramos cada um dos critérios: 

 

– Índice de criticidade x Rate de utilização 

Rate de utilização, ou duty cicle, quer dizer o tempo em que o equipamento é efetivamente utilizado durante o seu período diário de disponibilidade. Convencionamos os números de 1 a 4 sendo 1 quando o equipamento é utilizado só eventualmente como o caso de um cardioversor, e 4 quando utilizado a maior parte do tempo como o caso de uma autoclave. 

 Partindo de uma preventiva anual para todas as tecnologias, a freqüência será aumentada quanto maior o rate de utilização e conforme o índice de criticidade. Esta outra matriz mostra como isso acontece  

  

    (R) Rate de utilização 
    1  2  3  4 
Indice de Criticidade  Crítico  2  2  3  3 
Semi-crítico  1  1  2  2 
Não crítico  1  1  1  1 

 

 Os números dentro da matriz representam a quantidade de manutenções preventivas no período de um ano, ou seja quanto mais um equipamento é utilizado, maior a probabilidade de desgastes ou desajustes, o que aumenta a possibilidade de um mau funcionamento súbito, e portanto mais recomendado que seja aumentada a frequência anual de manutenções preventivas. 

 

O numero de manutenções programadas também poderão ser determinadas por outros critérios, menos analíticos e mais mandatórios, como segue: 

 

(M) Por determinação do fabricante – ou seja, o que vale é o que foi planejado durante o projeto de desenvolvimento do equipamento e consta no manual de utilização/serviço. Alguns fabricantes determinam a troca dos kits de manutenção semestralmente, ou anualmente, ou conforme o número de horas de utilização, e essa período deve ser respeitado independente do que resultou de nosso método de criticidade. 

(C) Estabelecido em contrato de manutenção/locação/comodato. Mais uma vez o comodatante, ou a empresa contratada definiu a agenda de manutenções por estratégia comercial ou por algum critério diferente do nosso, mas que deve ser respeitado. 

(E) Por justificativa especial. Algumas vezes existe uma razão particular para que a manutenção preventiva seja feita em períodos incompatíveis com o nosso critério, inclusive por limitação orçamentária. Nestes casos é importante que a Engenharia Clinica tenha o conhecimento de qual a justificativa para uma agenda diferenciada e que esteja acordado previamente com os responsáveis dos setores. 

 

No ANEXO I mostra como ficariam algumas tecnologias descritas anteriormente, mas agora com o número de preventivas anuais determinadas por estes critérios. 

 

Calibração – Deve ser feita anualmente, e a periodicidade será reavaliada pelo método de Schumacher (Ver no próximo artigo) durante o ano, com a possibilidade de aumentar ou diminuir o tempo entre calibrações. O planejamento das calibrações necessita que em primeiro lugar, sejam escolhidos quais os equipamentos que farão parte do programa, partindo do princípio que somente os equipamentos que apresentarem leituras de grandezas, ou que forem geradores destas tem a necessidade de serem calibrados, e ainda, que estas leituras de grandezas tenham uma relação conhecida com o resultado do processo clinico, exemplo: 

  • Em uma bomba de infusão programamos um fluxo de medicamento por hora e esta mesma bomba enquanto aplica o medicamento nos dá uma leitura do volume total e fluxo. A quantidade de medicamento aplicado em um paciente afeta diretamente no resultado do tratamento, ou seja, conhecendo o erro inerente a medida do volume medido é possível o médico corrigir a dose de medicamento e, portanto, manter o processo de tratamento sob controle. Este é um caso em que a grandeza volume deve ser calibrada, da mesma forma que um ventilador pulmonar ou uma bomba de injeção de contraste. 
  • Um aspirador cirúrgico por outro lado, é portador de um manovacuômetro para indicar a pressão de vácuo de trabalho. O processo clinico de tratamento do paciente pela aspiração de secreção das vias aéreas, pouco, ou praticamente nada é influenciada pelo erro do marcador de pressão de vácuo. Este marcador está mais ligado a verificação do estado dos filtros internos, e também não varia o processo de manutenção conforme o erro apresentado na leitura. Deste modo este não é um equipamento indicado para fazer parte do programa de calibrações. 
  • Um console de uma camera de video-cirurgia não tem nenhum parâmetro mensurável e portanto não faz parte do programa de calibração. 

Ainda dentro do planejamento do programa de calibração, os limites de aceite do erro do mensurando devem ser conhecidos e determinados previamente. Uma tabela exemplo está no ANEXO II. 

 Teste de segurança elétrica – Será vinculado e sincronizado com a calibração e, portanto, será anual. O teste de segurança também deve ser realizado sempre após cada manutenção corretiva. 

Qualificação de instalação e Qualificação de operação – Normalmente aplicada às autoclaves, é executada quando um equipamento é novo e recém instalado, ou quando for removido de uma posição e colocado em outra. Também é feito de forma periódica anual conforme determinação da ANVISA pela RDC15/2012. 

Qualificação de Desempenho – Também para as autoclaves, é conhecido também no mercado como “Validação” e deve ser anual conforme determinação da ANVISA pela RDC15/2012, e sempre que houver manutenção corretiva em que haja alteração nos parâmetros do ciclo da autoclave. 

Teste hidrostático – Todos os vasos de pressão que se enquadrarem, inclusive autoclaves, devem passar pelo teste. Este será a cada 3 anos ou conforme classificação da categoria do vaso, conforme manda a Norma Regulamentadora NR 13, do Ministério do Trabalho. 

Verificação legal pelo Inmetro – será anualmente para balanças, termômetros e esfigmomanômetros conforme portaria INMETRO nº 153/2005 e Norma NIE-DIMEL-006. 

 

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

 

  • Ministério do Trabalho – NR13 – Norma Regulamentadora –– Caldeiras e vasos de pressão 
  • VIM – 2012: Vocabulário Internacional de Metrologia 
  • ABNT NBR IEC 60601-1 – Prescrições gerais para segurança básica e desempenho essencial 
  • IEC 62353:2014 – Medical electrical equipment – Recurrent test and test after repair of medical electrical equipment  
  • INMETRO – Norma  NIE – DIMEL 006:2014 – Procedimentos para verificação de esfigmomanômetros mecânicos 
  • INMETRO nº 153/2005 – Condições a que devem satisfazer os esfigmomanômetros mecânicos, de medição não invasiva, que se destinem a medir a pressão arterial humana. Portaria INMETRO nº 24 – Calibração de esfigmomanômetros mecânicos 
  • ANVISA RDC 15/2012 – Boas Práticas para o Processamento de Produtos para Saúde 
  • ANVISA RDC 50/2002 – Planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. 

No próximo e último artigo mostrarei uma simplificação do método de Schumacher para determinação da frequência de calibração. Até lá!

ANEXO I: Exemplo de como fica a frequência de manutenção preventiva aplicando o método descrito.

  IC    Rate  Freqüência 
Arco Cirúrgico  A    3  2 
AutoClave  A    1  3 
Bomba de Infusão   A    3  2 
Bomba de Infusão de Seringa  A    3  2 
Bomba Extracorpórea  A    3  2 
Câmera de Vídeo  A    3  2 
Cardioversor  A    4  2 
Console para Micro-Motores  A    4  2 
Desfibrilador  A    4  2 
Esterilizadora por peróxido de hidrogênio  A    1  3 
Fonte de Luz  A    3  2 
Garrote Pneumático  A    4  2 
Insuflador de CO2  A    3  2 
Lavadora Ultrasônica  A    2  3 
Marca Passo  A    4  2 
Monitor de Vídeo  A    3  2 
Osmose Reversa  A    4  2 
Processador de Vídeo  A    3  2 
Processadora de Raio X  A    2  3 
Raio-X  A    3  2 
Raio-X – Móvel  A    3  2 
Tomográfo  A    2  3 
Unidade de Anestesia  A    3  2 
Unidade de Hemodiálise  A    3  2 
Unidade de Hemodinâmica  A    3  2 
Unidade de Ultrassom  A    3  2 
Unidade Eletrocirúrgica  A    3  2 
Vaporizador  A    3  2 
Ventilador Pulmonar  A    1  3 
         
Câmara de resfriamento  B    1  2 
Estufa para Cultura Bacteriológica  B    1  2 
Foco Cirúrgico  B    3  1 
Incubadora para teste biológico  B    3  1 
Mesa Cirúrgica  B    3  1 
Sistema de Tratamento de Efluentes  B    2  2 
Work Station  B    3  1 
Video Printer  B    3  1 
         
Aspirador Cirúrgico  C    3  1 
Balança   C    4  1 
Central de Comunicação   C    4  1 
Compressor de membros  C    4  1 
Fotóforo  C    4  1 
Gravador de DVD  C    3  1 
Maca de Transporte  C    3  1 
Manta Aquecida  C    4  1 
Microscópio Cirúrgico  C    4  1 
Módulo de Capnografia   C    4  1 
Módulo de Débito Cardiáco  C    4  1 
Módulo de ECG  C    1  1 
Módulo de gases anestésicos  C    4  1 
Módulo de Oximetria  C    1  1 
Módulo de Pressão Invasiva  C    4  1 
Módulo de Pressão não Invasiva  C    4  1 
Monitor Multiparametros  C    1  1 
Neuroestimulador  C    4  1 
Oxímetro de Pulso  C    4  1 
Seladora  C    2  1 
Serra de Gesso  C    4  1 
Sistema de Ativação por Voz  C    4  1 

 

ANEXO II: Exemplo de tabela de tolerância para aceite dos resultados das calibrações

 

TECNOLOGIA  FREQUENCIA  PARÂMETROS  TOLERÂNCIA 
       
AutoClave  12 meses  Pressão  +/- 10% 
temperatura  +/- 10% 
Tempo  +/- 10% 
Balança   12 meses  Peso  +/- 10% 
Bomba de Infusão   12 meses  Volume  +/- 10% 
Fluxo  +/- 10% 
Bomba de Infusão de Seringa  12 meses  Volume  +/- 10% 
Fluxo  +/- 10% 
Câmara de resfriamento  12 meses  temperatura  +/- 10% 
Cardioversor  12 meses  Energia  +/- 10% 
Tempo  +/- 10% 
Garrote Pneumático  12 meses  pressão  +/- 10% 
Marca Passo  12 meses  Frequencia  +/- 10% 
Módulo de Capnografia   12 meses  CO2  +/- 10% 
Módulo de Débito Cardiáco  12 meses  Temperatura  +/- 10% 
Módulo de ECG  12 meses  Frequencia  +/- 10% 
Módulo de gases anestésicos  12 meses  Concentração   +/- 10% 
Módulo de Oximetria  12 meses  SpO2  +/- 10% 
Módulo de Pressão Invasiva  12 meses  Pressão  +/- 10% 
Módulo de Pressão não Invasiva  12 meses  Pressão  +/- 10% 
Oxímetro de Pulso  12 meses  SpO2  +/- 10% 
Unidade de Anestesia  12 meses  Volume  +/- 10% 
Fluxo  +/- 10% 
Pressão  +/- 10% 
Unidade Eletrocirúrgica  12 meses  Potencia  +/- 10% 
Ventilador Pulmonar  12 meses  Volume  +/- 10% 
Fluxo  +/- 10% 
Pressão  +/- 10% 
Esfigmomanometro  12 meses  Pressão  +/- 10% 
Termometro SND  12 meses  temperatura  +/- 5% 
Termohigrometro  12 meses  temperatura  +/- 5% 
termometro clinico  12 meses  temperatura  +/- 5% 

 

 

SEGURANÇA NO USO DE UNIDADES ELETROCIRURGICAS

 

eletrocirurgia

Fui questionado recentemente sobre uma forma de evitar queimaduras por bisturi durante o procedimento cirúrgico  mais especificamente quanto a postura que deveríamos adotar em relação aos adornos usados pela paciente. A discussão tomou corpo e sugeri que a abordagem fosse um pouco mais ampla, porque a questão de segurança não se limita a proibição de adornos somente, existem vários outros riscos a saúde de pacientes e operadores que devem ser trabalhados dentro de uma politica abrangente que inicia na aquisição da tecnologia correta. Da pesquisa que comecei a fazer sobre o assunto reuni estas informações que podem se transformar em uma politica de segurança com as devidas considerações em qualquer instituição de saúde que pratique a cirurgia com este tipo de tecnologia.

INTRODUÇÃO
O equipamento de eletrocirurgia, também conhecido como bisturi elétrico ou bisturi eletrônico, utiliza da eletricidade como forma de energia para produzir o rompimento da estrutura celular de forma controlada e assim conseguir o corte ou a coagulação dos diversos tipos de tecidos biológicos encontrados pelo cirurgião  durante o ato cirúrgico.  Nesse tipo de tecnologia a eletricidade é utilizada em potências de até 400w e frequências acima de 1 Mhz para conseguir produzir os efeitos de fulguração e do spray por exemplo, isso faz com que a Unidade eletrocirurgia seja um potencial causador de danos ao paciente e/ou cirurgião em caso de uma falha de utilização ou até malfuncionamento do equipamento. Foi inventado por William T Bovie no inicio do século 20 e introduzido na prática cirúrgica pelo médico Harvey W Cushing, e amplamente difundido desde então, sendo uma dos equipamentos mais utilizados tanto em cirurgias abertas quanto por vídeo. A grande evolução tecnológica dos equipamentos trouxe a incorporação de dispositivos de segurança e algoritmos que diminuem sensivelmente o risco de acidentes, mas ainda assim 600 casos de incêndio são reportados anualmente nos EUA com 1 ou 2 casos de óbito, onde pelo menos 90% deles estão envolvidos com o uso do bisturi eletrônico¹, ou seja, apesar da evolução tecnológica a adoção de comportamentos seguros nunca deixou de ser necessário e é sempre um tema atual.É importante que o centro cirúrgico adote um protocolo de segurança para minimizar a possibilidade de danos neste tipo de cirurgia, independente de quão atual é seu parque tecnológico. O protocolo que apresento abaixo é resultado de uma coletânea de documentos internacionais que reúne a experiência dos diversos profissionais e instituições que diariamente se empenham na busca pela segurança no ambiente cirúrgico.

DEFINIÇÕES
ECRI – Emergency Care Research Institute – Instituto de pesquisas em cuidados emergenciaisHEPA – High Efficiency Particulate Arrestance – Retenção de partículas de alta eficiênciaANVISA – Agencia Nacional de Vigilância SanitáriaCME – Central de Materiais EsterilizadosABNT – Associação Brasileira de Normas TécnicasREM – Return Electrode Monitor – Monitor do Eletrodo de RetornoNSP – Nucleo de Segurança do PacienteFDA – Food and Drug Administration –

RISCOS ENVOLVENDO A UTILIZAÇÃO DE UNIDADES ELETROCIRÚRGICAS

Antes de mais nada é importante deixar claro que não é só o risco de queimaduras que esta relacionado ao uso do bisturi, outros também estão presentes e devem ser levados em conta quando da criação das politicas de segurança da Instituição, com a adoção de barreiras nos procedimentos e materiais. O procedimento cirúrgico se inicia na CME com a inspeção e esterilização dos materiais e termina com o acompanhamento do paciente no pós-operatório.

  • Contaminação por falha de esterilizacao/manuseio/armazenamento
  • Eletrocução do paciente ou operador por mal funcionamento do equipamento ou por falta de aterramento adequado.
  • Queimadura do paciente por erro de operação,  ou por erro de posicionamento do eletrodo de retorno
  • Incendio/explosão por ignição de agentes inflamáveis
  • Queimadura do operador por falha no isolamento dos instrumentais
  • Intoxicação por inalação dos fumos provocados pela ação do bisturi
  • Embolia venosa pelo uso de gás argônio

ATITUDE SEGURA
As regras a seguir foram sugeridas pela Bovie e promovem uma postura segura no uso de bisturis por meio de 10 barreiras de segurança:

    1. Conheça muito bem os equipamentos e acessórios que estiver utilizando
    2. Utilize sempre um aspirador de fumaça
    3. Mantenha um programa completo de manutenção no parque de bisturis
    4. Teste os equipamentos antes de iniciar a cirurgia
    5. Não utilize agentes inflamáveis próximo ao sitio cirúrgico
    6. Tome cuidado com equipamentos com parte aplicada ao paciente como monitores marcapasso, etc
    7. Evite qualquer contato do paciente com partes metálicas
    8. Evite contato com outras partes do corpo que possam alterar a rota da corrente de difusão
    9. Mantenha a atenção durante o procedimento cirúrgico
    10. Registre o que esta sendo feito

PROTOCOLO DE SEGURANÇA

Nos Recursos

  • As equipes de cirurgia e enfermagem devem participar do processo de aquisição dos equipamentos e acessorios, optando sempre pelos modelos que incorporem os sistemas de segurança e que atendam a normas construtivas e de projeto da ABNT;
  • As equipes devem se manter atualizadas em relação ao metodo de uso seguro do equipamento por meio de um programa de educação continuada;
  • O equipamento deve fazer parte de um programa de manutenção corretiva e preventiva, calibração e segurança elétrica pelo departamento de engenharia clinica.

No Pré operatório 

Preparo do equipamento

  • A equipe deve estar familiarizada com as informações do manual do fabricante quanto a utilização segura do equipamento;
  • O equipamento e seus acessórios devem ser examinados a procura de danos – não utilize cabos ou acessórios com sinais de danos, trincas, ressecamentos, etc;
  • Durante o uso, o pedal deve ser colocado em um involucro plástico estanque para evitar mal funcionamento por derramamento de líquidos durante a cirurgia;
  • O pedal deve ser posicionado próximo ao pé do cirurgião e este deve ser avisado sobre o posicionamento para evitar acionamento acidental;
  • Verifique os registros de manutenção do equipamento e se a data da próxima inspeção não está vencida.
  • O bisturi não deve ser utilizado como prateleira ou mesa de apoio de nenhum material;
  • Todas os modos de acionamento que não forem utilizados devem ser configurados na potencia minima;
  • Utilize uma manta de material isolante cobrindo as partes metálicas da mesa cirúrgica.

Indicador sonoro de atividade

  • Ativar a unidade utilizando a caneta e o pedal e verificar em ambos a presença do indicador sonoro alto o suficiente para superar os demais sons da sala cirúrgica;
  • Verificar a operação dos outros alarmes e sistemas de proteção
  • O volume dos alarmes deve ser selecionado de forma a ser percebido com facilidade;

Eletrodo de retorno

  • Verifique o funcionamento do alarme do monitor de perda de contato do eletrodo de retorno (REM) forçando o funcionamento sem o mesmo. O alarme deve soar e a unidade não deve liberar potencia;
  • Use o Eletrodo indicado para o tipo de cirurgia conforme recomendado pelo fabricante;
  • Verifique a presença de danos ou falta de adesivo no Eletrodo antes de sua aplicação;
  • Verifique a data de validade;
  • Assegure que a área de aplicação está limpa seca e livre de pelos;
  • Siga as recomendações do fabricante para as aplicação, e assegure-se de estar bem aderido a pele;
  • O eletrodo deve ser aplicado em musculos com bastante irrigação e bem hidratados. Evite proximidade com ossos proeminentes;
  • Não reutilize o eletrodo descartável;
  • Quando possível posicione o eletrodo próximo do sítio cirúrgico;
  • Não utilize eletrodo de retorno quando o bisturi estiver na opção bipolar. Se estiver programado o uso de monopolar também durante a cirurgia, o cabo do eletrodo de retorno deve ser deixado desconectado até que a opção monopolar sera acionada;
  • Evite posicionar os cabos do eletrodo de retorno sobre marcapasso;
  • Evite posicionar o eletrodo próximo a próteses metálicas. Não existem, segundo o FDA,  relatos na literatura acerca de eventos adversos relacionados a sobreaquecimento de próteses  no entanto é recomendável adotar esta postura como uma forma de segurança
  • Cicatrizes são más condutores de eletricidade e devem ser evitadas;
  • Apesar de as tintas utilizadas nas tatuagens utilizarem metais na composição, não existem, segundo o FDA,  relatos na literatura acerca de eventos adversos envolvendo a aplicação do eletrodo de retorno sobre tatuagens.

Rotas alternativas

  • Elimine todo o contato do paciente com superfícies metalicas (mesa cirurgica, suporte de soro, mesas de apoio, etc);
  • Elimine o contato pele-pele do paciente, mãos encostadas nas pernas por exemplo;
  • Quando possível elimine eletrodos de monitores não vitais;
  • Posicione eletrodos de monitoração tão distantes quanto possível do sítio cirúrgico e dos cabos dos eletrodos ativo e de retorno;

Agentes inflamáveis

  • Evite antissépticos ou qualquer outro fluido inflamável na limpeza do paciente;
  • Evite acumulo de líquidos próximo ao sitio cirúrgico (poças);
  • Aguarde a evaporação dos agentes inflamáveis antes de cobrir o paciente para evitar vapores acumulados sob os tecidos.

Uso de gás argônio

  • Antes de iniciar a cirurgia e após cada intervalo, o ar deve ser purgado da linha de argônio para evitar a embolia venosa.

No Intraoperatório

  • Minimize o acumulo de O² sob tecidos e na cavidade orofaríngea; Segundo o ECRI atmosferas enriquecidas por oxigênio (23% ou mais de O²) são responsáveis pela ignição de fogo durante a cirurgia; (veja abaixo video do ECRI)
  • Acione o bisturi somente após haverem se dissipado os vapores de agentes inflamáveis;
  • Acione o bisturi somente após estar preparado para o procedimento e somente enquanto o eletrodo ativo estiver ao alcance da vista;
  • Utilize a menor potência possível, a necessidade de aumento constantemente significa que alguma coisa não esta correndo bem. Procure por outros problemas, como por exemplo a posição do eletrodo de retorno;
  • A caneta monopolar deve ser colocada em um local seguro quando não estiver em uso para evitar acidentes com acionamento inadvertido;
  • Apenas o operador do eletrodo ativo poderá fazer uso do pedal;
  • Verifique o contato e a aderência do eletrodo de retorno cada vez que o paciente for reposicionado;
  • Não utilize bisturis que acionem duas canetas com apenas um pedal;
  • Documente todo o procedimento no prontuário do paciente,  a identificação do bisturi,  a configuração utilizada,  a localização do eletrodo de retorno e as condições da pele do paciente antes e depois da utilização do procedimento;
  • Registre a utilização e a posição de todos os equipamentos utilizados durante o procedimento.;
  • Utilize um aspirador de fumaça com filtro HEPA para eliminar elementos tóxicos dos vapores da queima de tecidos.

No Pós operatório 

  • Procure sinais de dano no paciente nas regiões do eletrodo e outros com possibilidade de queimaduras ( danos de eletrocirurgia na região sacral costumam aparecer imediatamente após a cirurgia,  regiões pressionadas só mostram os danos um ou dois dias após a cirurgia)²;
  • Documente tudo o que observar;
  • Se algum problema for observado durante ou após a cirurgia,  reserve todos os itens descartáveis e suas embalagens para que se possa verificar a validade;
  • Quando forem verificadas falhas no equipamento, a equipe de engenharia clinica deve ser acionada imediatamente;
  • Eventos adversos que ocorrerem durante a cirurgia devem ser reportados a equipe do NSP imediatamente;
  • Após a limpeza e antes do processo de esterilização, o material isolante dos instrumentais deve ser inspecionado a procura de falhas, trincas ou buracos. Deve ser utilizado uma lente de aumento ou se possível um medidor de isolação eletrônico.

ALEM DISSO…

  • O Centro Cirúrgico deve manter uma politica de segurança para cirurgias com uso de Unidades Eletrocirurgicas
  • Os processos devem estar registrados no manual da qualidade, e devem ser revisados periodicamente pelos envolvidos.
  • O Centro Cirúrgico deve manter um registro de todas as pessoas e todos os recursos que foram utilizados na cirurgia, incluindo equipamentos consignados, materiais descartáveis etc.
  • Os eventos adversos devem ser reportados pelo sistema da Qualidade respeitando os procedimentos determinados pelo Sistema de Tecnovigilancia da ANVISA.
  • Toda falha relacionada com os equipamentos ou acessórios deve ser reportada ao Departamento de Engenharia  Clinica, que deverá proceder com uma investigação de causas e danos.

(1)Society of American Gastrointestinal and Endoscopic Surgeons (SAGES)

(2) Association of surgical technologists (AST)

Acesse o link a baixo para assistir a um video produzido pela ABC News mostrando como inicia o fogo no campo cirúrgico:

Incêndio no sitio cirúrgico

REFERENCIAS:

– American National Standards Institute. American National Standard for Safe Useof Lasers in Healthcare. Orlando, FL: Laser Institute of America; 2011.
– Andrews J. Fire and smoke still smolder as electrosurgery safety issues.http://www.hpnonline.com/inside/2003-12/h1203electrosurgical.htm. AccessedAugust 20, 2012
– ArthroCare Corporation. Coblation in brief.http://www.arthrocare.com/our_technology/ot_coblation_explained.htmAccessed August 20. 2012.
– Association for the Advancement of Medical Instrumentation. AAMI/ANSIES60601-1:2005 medical electrical equipment – part 1 general requirements forbasic safety and essential performance. Arlington, VA: Association for theAdvancement of Medical Instrumentation; 2005.
– Association for the Advancement of Medical Instrumentation. Electrical SafetyManual, 2008. Arlington, VA: Association for the Advancement of MedicalInstrumentation; 2008.
– Association of Surgical Technologists. (2011). AST continuing education policiesfor the CST and CSFA.http://www.ast.org/professionals/documents/ASTCEPoliciesfortheCSTCSFArevisedNov2011.pdf. Accessed August 20, 2012.
– Association of Surgical Technologists. (2006). AST recommended standards ofpractice for counts.http://www.ast.org/pdf/Standards_of_Practice/RSOP_Counts.pdfAccessed August 20, 2012.
– Association of Surgical Technologists (2009).AST recommended standards ofpractice for creating the sterile field.http://www.ast.org/educators/documents/RSOP%20for%20Creating%20the%20Sterile%20Field%20(2011%20Revision).pdf. Accessed August 20, 2012.
– Association of Surgical Technologists. (2006). AST recommended standards ofpractice for sharps safety and use of the neutral zone.http://www.ast.org/pdf/Standards_of_Practice/RSOP_Sharps_Safety_Neutral_Zone.pdf . Accessed August 20, 2012.
– Association of Surgical Technologists. (2008). AST recommended standards ofpractice for skin prep of the surgical patient.http://www.ast.org/pdf/Standards_of_Practice/RSOP_Skin_Prep.pdf AccessedAugust 20, 2012.
– ECRI. (2011). Burns and fires from electrosurgical active electrodes.http://www.mdsr.ecri.org/summary/detail.aspx?doc_id=8203. Accessed August20, 2012.
– ECRI. (2012). Electrosurgery checklist.http://www.mdsr.ecri.org/summary/detail.aspx?doc_id=8271. Accessed August20, 2012.- ECRI. Electrosurgical airway fires still a hot topic. Health Devices. 1996; 25(7):260-261.
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O PAPEL DO ENGENHEIRO CLINICO NO PLANO NACIONAL DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

Publicado em janeiro de 2014 na revista Hospitais Brasil

Qual tem sido a participação do Engenheiro Clinico no Plano de Gerenciamento de Resíduos sólidos de sua instituição? Segundo a PNGRS os estabelecimentos de serviços de saúde são os responsáveis pelo correto gerenciamento de todos os Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) por eles gerados, cabendo aos órgãos públicos, dentro de suas competências, a gestão, regulamentação e fiscalização.

O Decreto Federal no 7.404, de 23 de dezembro de 2010, regulamentou a Lei  no 12.305/2010 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, criou o Comitê  Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Comitê Orientador para a  Implantação dos Sistemas de Logística Reversa. Esta lei, assinada em agosto de 2010, e que está em fase de implementação através de seus planos nacionais, estaduais e municipais, é o resultado de mais de 20 anos de discussão iniciada com a publicação da Resolução CONAMA 006/91, que dispunha sobre o tratamento dos resíduos sólidos de saúde e acabava com a prática de incineração. O PNGRS introduziu novas preocupações como a gestão compartilhada, a logística reversa e as disposições gerais sobre os planos de resíduos sólidos.

Para entender:

Responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos: conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, para minimizar o volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como para reduzir os impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental decorrentes do ciclo de vida dos produtos, nos termos desta Lei.

logística reversa é o instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou, ainda, outra destinação.

Depois de 3 anos completos da publicação da lei, temos visto as empresas fabricantes preparando seu sistema logístico para atender as demandas de recolhimento, ainda bastante fraco diga-se de passagem, mas que com certeza será acelerado com a imposição da demanda causada pelas Instituições de saúde. Da mesma forma temos também empresas de logística reversa, ou recuperação de valor como também é chamada, que perceberam o mercado potencial e estão investindo pesado na criação de plantas de processamento de eletrônicos descartados, como é o caso da empresa Arrow que inaugurou em outubro ultimo mais uma unidade com capacidade para processar 20 mil ativos mensais em São Paulo. Ou seja já percebe-se uma movimentação por parte dos fornecedores para atendimento a politica dos RSS.

E o seu hospital, já definiu os procedimentos para o descarte rastreado? Já buscou os fornecedores para montar um plano de ação? Já definiu a politica de obsolescência?

O que isso quer dizer na pratica da Engenharia clínica?

No caso da Engenharia Clinica, a maior preocupação está no gerenciamento do descarte dos materiais, baterias, lâmpadas, partes e peças usadas e até mesmo equipamentos desativados, bem como qualquer material técnico gerado da atividade. Estes materiais não poderão mais serem descartados no lixo comum mas sim submetidos à engenharia reversa.

Como classificar?

Todos os materiais definidos pelo artigo 33  tem a obrigatoriedade de passar pelo processo de engenharia reversa. Os produtos do chamado Grupo D, conforme definição do Manual de Gerenciamento de RSS do Ministério da Saúde compreendem praticamente todos os resíduos gerados pelo Departamento de EC, seja na forma de peças defeituosas, cabos, materiais refugados e até mesmo equipamentos inteiros que chegam ao fim de sua vida util e esperam pela definição de um destino apropriado. Para melhor entendimento pela equipe de gerenciamento  interno  dos  RSS  no  estabelecimento de saúde, a classificação adotada deve ser aquela indicada pela Anvisa (RDC 306/2004). Entretanto, para licenciamento ambiental de aterros sanitários e outros tipos de resíduos sólidos, recomenda-se seguir as orientações dadas pela NBR 10.004 (ABNT, 2004), a qual normatiza a classificação dos resíduos sólidos quanto à periculosidade.

O plano

É de responsabilidade do EAS e a Engenharia Clinica se inclui nisso, o estabelecimento de um plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos conforme determinado na seção V e descrito no artigo 21, identificando as responsabilidades em cada etapa de gerenciamento, os tipos de resíduos, etc. Para elaborar o plano já existem diversas literaturas a respeito, mas é importante que seja seguido o Manual de Gerenciamento dos Resíduos dos Serviços de Saúde publicado pela ANVISA em2006 e que pode ser facilmente baixado pela internet.

O interessante vem no capitulo III artigo 30 da PNRS onde é definido o principio da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos de forma individualizada e encadeada aos fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e consumidores, o que quer dizer que os fornecedores de produtos deverão ser envolvidos quando a questão for o descarte dos mesmos. Os Estabelecimentos de Saúde  deverão  efetuar  a  devolução  dos  resíduos  aos comerciantes ou aos distribuidores dos produtos e das embalagens. Os comerciantes e distribuidores deverão efetuar a devolução aos fabricantes ou aos importadores. Os  fabricantes  e  os  importadores  darão  destinação  ambientalmente  adequada  aos produtos e às embalagens reunidos ou devolvidos, sendo os rejeitos encaminhados para a disposição final ambientalmente adequada, na forma estabelecida pelo órgão competente do Sisnama e, se houver, pelo plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos.

No caso de equipamentos de porte, o artigo 33 deixa claro que a responsabilidade de recolhimento e toda a logística reversa são de responsabilidade  da cadeia fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes. Tornando os integrantes desta cadeia como corresponsáveis na destinação correta dos materiais, componentes e equipamentos na atividade chamada de logística reversa, onde basicamente serão recolhidos, desmontados, separados conforme seus materiais e preparados para reciclagem por meio de metodologia apropriada.

Portanto o Engenheiro Clinico, além de todas suas atribuições, deverá a partir de agora assumir mais esta atividade, estimulando sua instituição na elaboração do Plano de Ação, provocando seus colaboradores a refletir sobre a responsabilidade social da destinação dos resíduos e seu próprio papel de responsável na manutenção do meio-ambiente, não  esquecendo nunca da questão da rastreabilidade (A lei preve que o EAS deverá manter um registro atualizado sobre a destinação deste material, da mesma forma que a empresa que efetuou o recolhimento) e da atenção aos Planos Estaduais, Municipais e o da sua Instituição, juntamente com os instrumentos legais relativos aos resíduos do sistema da logística reversa nos seus respectivos Estados e Municípios.

Nos conte qual sua experiência dentro de sua instituição neste assunto. Os equipamentos já estão sendo recolhidos pelos distribuidores? Já está sendo elaborado um plano? Não deixe de nos escrever.