A FÁBULA DO RATO

Uma fabula antiga conta que em uma fazenda vivia um rato, que tinha sua toca dentro da casa do fazendeiro. Um belo dia amanheceu e o rato, ao sair da toca, se deparou com uma caixa trazida pelo fazendeiro, muito curioso ficou à espreita esperando que alguém abrisse a caixa e revelasse o que havia em seu interior. Horas mais tarde os empregados da fazenda abriram a caixa e de lá tiraram uma grande ratoeira. O rato de tão apavorado que ficou com o novo objeto da casa, saiu pela fazenda buscando avisar a todos dos perigos que estavam por vir.

Foi até a galinha e contou o que tinha visto, e perguntou o que ela ia fazer, a galinha muito tranquila disse que não tinha nada com isso uma vez que ela era esperta e nunca seria pega pela ratoeira.

Foi então o rato até o porco e falou da ratoeira e da reação da galinha, mas também o porco disse que aquele assunto não o interessava porque a ratoeira estava dentro de casa e ele nunca entrava na casa.

Por fim o rato procurou a vaca, mas a reação dela não foi diferente, a vaca disse que a ratoeira era muito pequena para ela então ela não tinha com o que se preocupar.

Conformado o rato voltou para sua toca e procurou ter cuidado por onde andava para não ser pego pela armadinha.

Certa noite acordada pelo barulho característico da ratoeira a mulher do fazendeiro foi ver o que havia, e se deparou com uma cobra presa pelo rabo. Ao tentar soltar a cobra a mulher foi picada e caiu desacordada pela força do veneno. Levada às pressas ao seu quarto começou a piorar e então a cozinheira teve a ideia de preparar uma boa canja para lhe recobrar as forças, e matou a galinha.

Como se passaram os dias e a mulher do fazendeiro só piorava, os vizinhos e conhecidos preocupados começaram a frequentar a casa oferecendo ajuda. Como era grande o número de visitas, o fazendeiro resolveu matar o porco para poder alimentar a todos.

Por fim a mulher acabou morrendo por conta da enfermidade, e toda a comunidade veio prestar condolências e se despedir. Tamanho o número de pessoas que o fazendeiro pediu a cozinheira que matasse a vaca e preparasse comida a todos.

Assim o que era problema para um resultou em dano para todos.

Essa fábula já foi muito escrita e postada nos grupos sociais, mas um detalhe ao final da história que é bastante evidente vi poucos comentários a respeito, o fato de o único que saiu ileso foi o rato. Justamente o alvo principal da ratoeira. A informação da presença da armadilha eliminou o efeito surpresa, o medo e a antecipação do problema permitiram o planejamento da defesa. A compreensão do mecânica de funcionamento do efeito social na comunidade teriam permitido a galinha ao porco e a vaca também ao posicionamento de defesa.

Da mesma forma é a vida em comunidade, e dentro do ambiente corporativo não é diferente. As pessoas de uma empresa, por mais diferentes os cargos, atividades e responsabilidades, formam um corpo coeso que sente tudo o que se passa em seu meio, as vezes com mais intensidade, as vezes com menos.

Uma demissão pode acarretar em aumento de carga de trabalho para outros, uma admissão malfeita atrapalha o desempenho de vários, um gasto sem planejamento ou uma venda perdida causam restrições de orçamento que pesam para todos, e assim por diante. A falsa ilusão de que o problema dele não é problema meu impede a visão de quanto isso terá impacto em nossa vida, nossa rotina, e impede que você se prepare para um revés. O efeito surpresa magnifica o dano pela falta da antecipação.

Somos um corpo, não existe responsabilidade parcial dentro de uma organização, seja ela qual for. Ao final compartilhamos tudo, o prejuízo e o lucro.